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Mara Paraguassu

Jornalista desde 1989. Trabalhou nos jornais Estadão do Norte, O Guaporé e Diário da Amazônia. Cobriu eleições para a Agência Estado. Exerceu Assessoria de Imprensa nas Secretarias da Educação e de Meio Ambiente de Rondônia. Trabalhou no Congresso Nacional. Atua na Secom/Governo de Rondônia. Escreve sobre política, Amazônia, cidadania.

0 dinheiro farto e fácil do BNDES para os irmãos Batista: os fins justificando os meios - Por Mara Paraguassu

07/10/2017 - [20:03] - Opinião


    Mara Paraguassu
 

A Polícia Federal anunciou mais um braço de investigação para saber que destino teve o bilionário crédito de mais de R$ 8 bi da subsidiária BNDESPar para uma das empresas do Grupo JBS, dos irmãos Batista (Joesley e Wesley), a J& F. 

Deflagrada seis dias antes de estourar o escândalo provocado pelas acusações dos empresários envolvendo políticos de quase todos os partidos, a operação  Bullish investiga seis irregularidades em aportes financeiros à JBS, e agora os delegados do caso anunciaram à Justiça nova investigação por suspeitar que não foram empregados pela J&F os recursos na totalidade dos projetos submetidos à instituição financeira.

A PF pediu e o juiz Ricardo Leite ampliou o bloqueio de bens, alcançando 13 empresas e 8 pessoas, inclusive a mãe dos irmãos Batista e os próprios executivos. A Bullish calcula ser de pouco mais de R$ 1 bilhão o prejuízo do BNDES com as operações irregulares detectadas.

Por tudo que veio à tona, a base das relações políticas do grupo com o governo e a forma como sugou recursos do BNDES, com evidência cristalina de elevada corrupção e tráfico de influência, o prejuízo alcança a lua. É preciso investigar a fundo.

Em pouquíssimo tempo o faturamento da JBS saiu de R$ 4 bilhões em 2006 para R$ 170 bilhões no ano passado, algo surpreendente para qualquer Nobel de economia. Um crescimento de mais de 4 mil por cento, graças ao dinheiro farto e fácil do BNDES, que alcança mais de R$ 12 bilhões.  Os números revelam ascensão suspeitissima.

E como Joesley Batista admitiu ter pago R$ 200 milhões em propinas ao ex-ministro Guido Mantega (Fazenda) e a outras lideranças do Partido dos Trabalhadores (PT), o grupo e tentáculos no poder configuram o segundo melhor exemplo da Lava Jato – o primeiro é o petrolão – de que os fins, o enriquecimento de arrivistas e a hegemonia petista no poder, justificaram todos os fétidos meios para alcançá-los.
 

Fronteiras escancaradas


Foto Esio Mendes

Mais uma vez o governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja, reclamou da ausência das forças policiais do governo federal nas fronteiras. O estado, que integra o Consórcio Interestadual de Desenvolvimento do Brasil Central (CBC), tem 1.400 quilômetros de fronteira seca com a Bolívia e Paraguai. “O governo federal abandonou as fronteiras no país. Elas estão escancaradas.”  A manifestação ocorreu durante coletiva nesta sexta-feira, 6, em Porto Velho.

 

Apreensivos

Os seis governadores que integram o CBC estão apreensivos. Garantem que estão fazendo sua parte, e segundo o presidente do consórcio, governador de Goiás Marconi Perilo, os investimentos em segurança tem aumentado. Mas os estados não têm de assumir fronteiras sozinhos.
 

Postos fechados

Dois postos da Polícia Rodoviária Federal em rodovias que dão acesso à fronteira com Paraguai e Bolívia foram fechados nos últimos 90 dias em Mato Grosso do Sul. Motivo: falta de recursos para manutenção. As fronteiras estão cada vez mais abertas e sem proteção. De nada adianta colocar força de segurança na Rocinha, no Rio de Janeiro, desabafou Azambuja.
 

Regularização fundiária

O Partido dos Trabalhadores ajuizou no dia 6 a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 5787) em que questiona dispositivos da lei 13.465/2017, que trata da regularização fundiária urbana e rural na Amazônia. A lei resulta da conversão da Medida Provisória 759/2016. O partido argumenta que o modelo proposto pela lei impõe ônus à população de baixa renda, promovendo “concentração fundiária”. Sustenta ainda que a União renuncia a receitas que podem gerar perdas de até R$ 21 bilhões somente na Amazônia. O relator da ação é o ministro Luiz Fux, que já avalia outra ADI de mesmo teor ajuizada pela Procuradoria-Geral da República.
 

Email: maraparaguassu1@gmail.com


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