Porto Velho,
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Viriato Moura

Médico especialista em ortopedia, medicina do trabalho e medicina do esporte; membro da Academia de Letras de Rondônia (autor de 10 livros em prosa, verso - um deles sobre a história da medicina em Rondônia), jornalista, comunicador de rádio e televisão, artista visual e colaborador assíduo dos sites Gente de Opinião, Debates Culturais (Rio) e Escolas Médicas (SP).

25 ANOS SEM O DR. JOSÉ ADELINO DA SILVA

30/08/2017 - [18:43] - Opinião

 
A pediatria em Porto Velho teve como seu maior expoente em sua época o médico José Adelino da Silva. Até os idos anos 1960, havia por aqui clínicos e cirurgiões gerais. Alguns poucos praticavam anestesia. Não se falava, ainda, em especialistas com residência médica, que começaram a chegar ao então território de Rondônia na década seguinte.
     
O ilustre profissional nasceu na Boca do Acre, Amazonas, no dia 29 de dezembro de 1936. Veio com sua família para Porto Velho ainda adolescente, em 1950. Então, estudava o secundário em Manaus, onde permaneceu até a conclusão do curso médio (hoje, denominado segundo grau). Em 1964, iniciou o curso de medicina, na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Pará, onde se formou em 1969.
     
Dada sua afeição pelas crianças, durante os tempos de faculdade, Adelino se dedicava, com mais afinco, ao estudo da pediatria. Ele costumava dizer que criança não é um adulto pequeno. Há peculiaridades que requerem atenção específica do médico ao paciente nesse período da vida, enfatizava. A relação médico-paciente, nesse contexto, exige uma percepção especial,  na qual Adelino era um mestre.
     
Começou suas atividades em Porto Velho, logo após retornar à cidade como médico nos meados de dezembro de 1969, em um modesto consultório na Rua José do Patrocínio, próximo à Rua José de Alencar. Assim agindo, Adelino virou uma página histórica no atendimento médico local, por dois motivos. O primeiro: antes dele, os médicos, funcionários públicos, quando não estavam nas unidades do governo, atendiam em diminutos recintos em fundos de farmácias. O segundo: Adelino assumiu que era médico de crianças. É claro, porém,  que era instado a atender também adultos, dada ao reduzido número de médicos nesta região. Mas desde o início de sua carreira se destacou como pediatra.
     
O eminente profissional ganhou logo a simpatia daqueles que o procuravam com seus filhos enfermos. Intimista no jeito de atender seus pacientes, não poupava repreendas às mães que demoravam a levar seus filhos doentes para os cuidados médicos ou que não obedeciam  suas recomendações. As admoestações do pediatra, que logo se tornava amigo de todos que atendia, eram entendidas como preocupação sincera dele com a saúde de seus filhos – ele não se continha quando via crianças com unhas sujas e outras faltas de higiene.
     
Adelino era um filantropo por natureza. Jamais se soube de alguém sem recursos que o procurou e deixou de ser atendido por ele. Pela sua competência profissional e por seu jeito simpático, solidário e alegre de lidar com as pessoas, Adelino ganhou a confiança e o respeito da comunidade. Não é demais dizer que foi o médico mais popular que Rondônia conheceu em seu tempo. Além de pediatra, foi o legista por muitos anos. Idealizou e estruturou o Instituto Médico-Legal. Fez ainda incursões na militância político-partidária. Como era de seu feitio, defendia suas ideais com muita convicção e vibração. Certa feita, quando um governador, acometido de insensatez,  tentou aprovar na Assembleia Legislativa a mudança da capital para Mirante da Serra,  então um  lugarejo do interior de estado, Adelino juntou-se ao povo que fora acompanhar a sessão que decidiria a questão. Na ocasião, aos gritos, pedia para que não aprovassem tal mudança, que seria muito prejudicial a Porto Velho, e até mesmo para o estado. Cada parlamentar que chegava para defender a mudança era recebido por vaias e muita balbúrdia promovida pelo intransigente defensor da permanência da capital onde se encontrava. Estavam presentes também ao evento representantes da Associação Comercial de Porto Velho e alunos do Colégio Anglo, que lotaram as galerias e os corredores daquela casa de leis. Esses, junto com Adelino e os demais presentes, inviabilizaram o início da sessão. O projeto nunca mais foi posto em pauta. Para a felicidade dos porto-velhenses.
     
José Adelino, o médico das crianças do passado de Porto Velho, faleceu precocemente, aos 55 anos, vítima de atropelamento, nas proximidades da Unir, por volta das 19 horas do dia 30 de agosto de 1992.

Reconhecido pelos relevantes serviços prestados,  José Adelino da Silva foi homenageado com a presença maciça de pessoas de várias classes sociais em seu funeral, ocorrido na Câmara Municipal de Porto Velho, que o prantearam com muita emoção. Depois vieram os justos reconhecimentos oficiais: seu nome foi merecidamente dado ao Instituto Médico-Legal, a uma rua e a um parque para práticas esportivas, onde caminhava com frequência ao amanhecer.
    
Até hoje, 25 anos após sua morte, o nome de Adelino é lembrado com carinho e saudade pelo que fez como médico e como cidadão que tanto amou esta terra e sua gente.


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