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CHUTANDO O BALDE

William Haverly Martins é professor, escritor, vice-presidente da ACRM (Associação Cultural Rio Madeira), ex-presidente da ACLER (Academia de Letras de Rondônia), membro da AHMFPB (Academia de História Militar Forte Príncipe da Beira), fundador da ARL (Academia Rondoniense de Letras), onde ocupa a cadeira número três e recebeu o título de Presidente de Honra. Contato ([email protected]).

CHUTANDO O BALDE: DEDO-DURO X DELAÇÃO PREMIADA

13/07/2017 - [21:24] - Opinião

 

DEDO-DURO X DELAÇÃO PREMIADA

 

William Haverly Martins
 

A logística de palavras, usada pelo escritor regular, com o intuito de se fazer entender ao término do texto, às vezes é traída pela dinamicidade da língua, mudando a semântica, complicando o entendimento, obrigando a observância do circunstancial no contexto: até bem pouco tempo, o substantivo dedurismo (derivado de dedo-duro), só era usado no sentido pejorativo, para denominar pessoas sem ética, sem caráter; hoje é sinônimo de delação, não uma delação qualquer, mas a premiada!

Delação premiada passou a ser o sonho de quem, durante anos e anos de sua vida, locupletou-se, como homem público ou privado, usando meios escusos para auferir recursos públicos, ainda assim tolerado e aplaudido, desde que os dedurados/delatados como coautores representem os poderes da república.

Amanhã, muitas crianças que se envergonhavam dos pais ladrões porque políticos corruptos, dirão orgulhosamente à professora e aos colegas: −Meu pai é um delator premiado!!!

A História nos apresenta delatores famosos, Silvério dos Reis, Calabar, e os denomina “traidores”, mas a delação premiada mais festejada pelos romanos, não teve um final feliz: Judas ganhou 30 moedas, porém não suportou o peso da consciência, a ponto de cometer suicídio. Se fosse hoje, talvez a história fosse diferente: Judas se mudaria para alguma ilha grega, a fim de desfrutar as benesses das suas moedas de ouro.

“Dedo-duro” era a alcunha mais temida na vida de um cidadão. Lembram de Wilson Simonal, marcado pela classe artística por ter supostamente entregue colegas de profissão ao DOPS, na vigência do Governo Militar?

Lembram de José Genoíno, acusado por muita gente do PC de ter dedurado seus colegas, durante a guerrilha do Araguaia? Até hoje ele carrega essa pecha, como um fardo insuportável.

No submundo do crime, o prêmio de uma delação geralmente é uma bala na cabeça. Dedo-duro/alcagueta/delator são termos policiais comuns à marginalidade.

O mundo dá voltas, o vulgar “dedo-duro” virou delator, autor de delação, melhor ainda, colaborador da justiça, que por ser algo considerado bom para a sociedade, é premiada. De fato, o termo “dedo-duro” é chulo; delator ou colaborador da justiça são mais chiques, principalmente agora que o termo passou a frequentar a banca dos melhores advogados do país e está na pauta do MP, do STF, do Congresso e do Executivo Federal: o instituto da delação premiada, a partir de agora, é um ato jurídico perfeito, declarou pomposamente a presidente do STF.

Acredito que a partir deste momento muitos políticos investigados, soltos depois de cumprirem pequenas penas, ou empresários de grande porte, que sequer foram presos, mandarão colocar em suas salas de recepção, um quadro moldurado, nos moldes de um diploma: Fulano de tal, “delator premiado”, com a assinatura do Procurador Federal e da Presidente do STF.

Outros dirão em comícios populistas, votem em mim, eu sou um delator premiado, eu devolvi parte do que furtei e ainda mandei pra cadeia muitos dos meus colegas, se estou solto e pleiteando uma nova oportunidade é porque fui premiado pelo MP e pelo STF. Prometo que vou continuar exigindo propinas, mas devolverei parte delas para bem do Brasil, o que significa dizer que estarei sempre lutando por mais e mais obras públicas.

E viva o Brasil, o país da impunidade! E ainda há quem se surpreenda com o péssimo ensino público, com os parcos recursos para a saúde, com as distâncias socais e com o aumento da violência nas cidades brasileiras.

Gostaria de ter nascido onde não se estranharia minha conclusão contundente e exemplar: político corrupto seria automaticamente fuzilado em praça pública, e delator corrupto, por ter contribuído para mais fuzilamentos, seria premiado com uma morte menos violenta − por exemplo, uma injeção letal, em sala particular e no aconchego dos familiares.


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