Terça-feira, 16 de janeiro de 2024 - 17h35

O
melhoramento da produção de café em Rondônia, contribuiu significadamente o
ambiente de negócios para empresários e cafeicultores da região. Conforme dados
do Ministério da Indústria e Comércio Exterior e Serviços (MDIC), as
exportações ultrapassaram os U$ 15,8 milhões, sendo que em 2022, a quantia
somou pouco mais de U$ 169 mil. Entre os
principais destinos no ano passado, figuram países como a Bélgica (que
concentrou o maior volume de sacas exportado), Estados Unidos, Colômbia,
Vietnã, Itália e Argentina. São números considerados excelentes pela Federação
das Indústrias do Estado de Rondônia (FIERO).
Entre os
fatores que norteiam esse crescimento está a aplicação de novas tecnologias na
lavoura cafeeira. De acordo com o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária (Embrapa), Enrique Alves, até 2010, Rondônia produzia café de
baixa qualidade em lavouras de padrão quase extrativista. A partir de estudos,
segundo Alves, houve a substituição de lavouras obsoletas por outras mais
modernas e que empregam novas tecnologias. É um pacote tecnológico que
incorpora práticas como: propagação clonal, materiais genéticos de excelência,
irrigação, novos arranjos espaciais, podas e práticas mais sustentáveis de
conservação de água e solo. “Tudo isso,
resulta em maior uniformidade das características agronômicas da lavoura e resistência
a pragas e doenças. Além do mais, estas
práticas garantem maior produtividade, qualidade e propriedades sensoriais
únicas aos cafés Robustas Amazônicos”, explica. Enrique Alves.
O
cafeicultor, empresário e presidente da Associação dos Cafeicultores da
Indicação Geográfica Matas de Rondônia (Caferon), Juan Travain ressaltou que no
segundo semestre de 2023, houve a visita de uma comitiva internacional de
compradores de café de 11 países, ação desenvolvida por meio do programa
Exporta Mais Brasil, da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e
Investimentos (Apex-Brasil). “Essa visita serviu para mostrarmos para o mundo a
qualidade do nosso café produzido em Rondônia, e que já rendeu frutos”,
comemora.
Para
incrementar as exportações Travain e Alves informaram que já existe o projeto
Carb-Café, que mede a quantidade de carbono estocado nas plantações e no solo
das áreas de cultivo de café na Amazônia, mais especificadamente, na região
Matas de Rondônia. O projeto que conta com a Parceria do Sicoob, Embrapa,
Caferon e Universidade Federal de São Carlos prevê ainda, trabalhos como o
mapeamento das áreas de café e o inventário de carbono.
Segundo
Travain, toda a região denominada Matas de Rondônia, composta pelos municípios
de Alta Floresta do Oeste, Alto Alegre dos Parecis, Alvorada do Oeste, Cacoal,
Castanheiras, Espigão do Oeste, Ministro Andreazza, Nova Brasilândia, Novo
Horizonte, Rolim de Moura, Santa Luzia do Oeste, São Felipe do Oeste São Miguel
do Guaporé Seringueiras e Primavera de Rondônia, contará com a rastreabilidade
da produção, que vai aferir que o café Robusta Amazônico é sustentável e não é
cultivado em áreas de desmatamento.
Para o
presidente da Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (FIERO), Marcelo
Thomé, essa atitude dos cafeicultores mostra que é possível produzir na
Amazônia, gerar riquezas, emprego e renda sem degradar o meio ambiente, e serve
de exemplo para agricultores e produtores das demais culturas. “Demonstra o
comprometimento com a preservação do bioma Amazônico, garantindo, ao mesmo
tempo, o incremento dos negócios sustentáveis na região Norte”, enfatiza.
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