Quinta-feira, 14 de abril de 2022 - 14h57

Uma audiência pública da Comissão de Agricultura e
Reforma Agrária do Senado Federal para debater os problemas e entraves na
organização do setor produtivo da Amazônia Legal, especialmente em Rondônia,
deu ênfase à regularização fundiária e conflitos agrários no Estado.
Durante o evento virtual, realizado em 7 de abril de
2022, o presidente da Comissão, senador Acir Gurgacz, falou sobre a conjuntura
atual da regularização fundiária e frisou a fala do assessor da Confederação
Nacional da Agricultura (CNA), José Henrique Pereira, de que há um potencial de
26 milhões de hectares a regularizar, o que representaria 1,2% do bioma
amazônico, sendo destes 88% em área de até quatro módulos fiscais, considerada
pequena propriedade.
Os avanços tecnológicos do Incra e as parcerias
institucionais firmadas para alavancar a regularização fundiária em Rondônia
foram a ênfase da fala do diretor de Desenvolvimento e Consolidação de Projetos
de Assentamento do Incra, Giuseppe Vieira, que mencionou a Plataforma de
Governança Territorial (PGT), o programa Titula Brasil e as parcerias em
Rondônia com a Secretaria Estadual de Agricultura (Seagri) e Instituto Federal
de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (IFRO).
O diretor abordou as limitações do órgão executor no
tocante à legislação fundiária. “Temos um processo muito complexo de análise da
liberação de cláusulas resolutivas (nos contratos de alienação de terras
públicas e títulos dos anos 70 e 80) e a maioria dos conflitos de Rondônia têm
origem nesse tipo de imóvel. No histórico deles, há impedimentos em alguma
documentação por conta da legislação posta”, explicou.
Apesar das dificuldades, segundo Giuseppe Vieira, foi
registrado um avanço na titulação. “Desde 2019, 337 mil documentos foram
emitidos no país e em Rondônia mais de 15 mil [definitivos e provisórios],
entre áreas de assentamentos e glebas públicas federais”, disse.
O superintendente regional do Incra/RO, Mário Moacir de
Almeida, detalhou a situação dos contratos fundiários do passado. “Foram
Contratos de Alienação de Terras Públicas (CATP), Contratos de Promessa de
Compra e Venda (CPCV) e títulos de domínio, emitidos há anos, com
transferências posteriores informais, que fazem esses pedidos de regularização
ficarem prejudicados, provocando muitas vezes até o seu cancelamento”. Com a
extinção do programa Terra Legal, em 2019, milhares de processos migraram para
o Incra. De acordo com o superintendente, o Instituto busca parcerias para a
digitalização dos mesmos e inserção na plataforma PGT.
Entre as recentes ações em prol da titulação em Rondônia,
o gestor local do Incra destacou a parceria firmada com 36 municípios no
programa Titula Brasil, capacitações realizadas no interior, a cooperação da
Seagri, com 30 profissionais cedidos ao Incra atuando na análise de processos
e, com o IFRO, para georreferenciamento, elaboração de Cadastro Ambiental Rural
(CAR) e vistorias.
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