Segunda-feira, 22 de outubro de 2007 - 10h34
Não é só o caso da pendenga com o Exército, cujas tropas acabaram tomando de assalto a área do antigo Flor do Maracujá. Como Nero, aquele imperador que ateou fogo em Roma para se divertir, o governador Ivo Cassol, tem agido em Rondônia. Ateou fogo na disputa sucessória em Porto Velho lançando quatro candidatos da base aliada – Garçon, Amado Rahal, Alexandre Brito e agora Valter Araújo – e ainda flerta com quinto nome, o socialista Mauro Nazif.
Não se incomoda com o processo de autofagia que já se engalfinham seus aliados na busca das suas bençãos, do seu dedo de imperador, sinalizando positivo. Como Nero, nosso governador se diverte com a possibilidade de tanta confusão que ele próprio armou. “Briguem, que vou pescar”, diz ele, que não quer nem se envolver.
Na briga com o Exército, pela área do antigo Flor do Maracujá, onde pretende retomar as obras do teatro Estadual - ainda um esqueleto de concreto - o governador desrespeitou decisão judicial, favorecendo o legítimo proprietário da área, o Comando Militar da Amazônia. Um caso em que vai levar vantagem junto a opinião pública, já que a reação dos militares foi desproporcional, tomando a área com tropas e fixando efetivo armado no local. Uma baita trapalhada.
Cassol não tem limites. Saiu da pacata Rolim de Moura, uma cidade menor do que o bairro JK em Porto Velho, para se transformar na personagem política mais importante de Rondônia, depois que o falecido governador Teixeirão, o herói da criação do estado em 1981. Nas urnas, diga-se de passagem, superou o saudoso governador, já que virou o jogo em 2002 contra Bianco e deu uma lavada na oposição na batalha da reeleição de 2006. Ninguém teve tantos votos, ninguém conseguiu tantas façanhas políticas. De caça, na gestão passado virou caçador. Saiu ileso da aprovação do impeachemnt, cilada armada pelos adversários, e no pleito do ano passado provocou uma renovação de quase 70 por cento do parlamento estadual.
Disciplinado, Cassol já mira o Palácio do Planalto e por isso se prepara para ingressar no PTB de Roberto Jefferson. Para chegar lá, quer uma eleição consagradora ao Senado em 2010, do que ninguém duvida.
Além de se divertir com suas armações domésticas e volta e meia fazer os deputados estaduais de peteca, Ivo tem lances de articulações até esmerados. O último dele é acenar para um bom reajuste ao funcionalismo público e aplicar anualmente mais R$ 15 milhões em obras no estado, se a Assembléia Legislativa aprovar o projeto do seu aliado Miguel Sena (PV-Guajará Mirim) que corta o chamado auxílio-moradia para deputados, desembargadores, conselheiros, enfim a alta burguesia rondoniense. Não poupou nem mesmo ele do corte. Brilhante.
Porque toda essa economia? Nosso imperador vislumbra a construção de um fantástico centro administrativo, projetando a pujança de Rondônia para o Brasil. Seu marketing político trabalha com a imagem de um JK na Amazônia. Em Rondônia, ninguém asfaltou mais, ninguém trabalhou tão bem na malha de estradas.
Ave Cassol? Salve Cassol? Se depender de mim ovadas nas suas fuças. Vá manipular os outros assim lá na cochinchina! Em todo caso, depois de Amir Lando ministro, o simples fato de Rondônia ter um presidenciável já é projeção para o estado. Antes disto: Já imaginaram como nosso Nero tupiniquim pode aprontar no Senado? Esse cara pode tocar fogo em Brasília...
Fonte: Carlos Sperança/gentedeopinião
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