Sexta-feira, 30 de agosto de 2013 - 05h40
Felipe Azzi
PERTINAZ MOURISCO era fiscal de rendas Rurais na progressista ICÓ DO ARROIO, onde os contribuintes se gabavam de não pagar impostos. De vez em quando se ouvia o estouro de fogos de artifício e já se sabia que alguém tinha escapado do sofrimento de alguma tributação.
PERTINAZ, competente e sério como todo cobrador de impostos, não dava trégua aos contribuintes devedores. Lavrava as multas, mesmo as discutíveis. O caso? Que fosse acabar nos apelos e recursos da Justiça Tributária!
Estava a comentar, entre colegas de trabalho, ao sabor do cafezinho do fundo de repartição, uma multa lavrada no lombo de certo criador de gado da região, quando, de repente, surgiram no vazio da porta, dois metros de coronel, do soldado da botina à cumeeira do chapéu, sem considerar o reforço do trabuco pendurado na cintura.
Passada a fumaceira da chaminé do charuto, uma voz grossa, encorpada com rouquidão de nascença, perguntou:
– Onde, por obra de Deus, posso encontrar um pardavasco, mirrado feito filhote de cotia, que atende pelo nome de Pertinaz dos Mouriscos, mas é chamado de “Zozó fala mansa”?
Rápido, os amanuenses de plantão, em formato de tapete de vassalagem, fizeram salamaleques de acolhimento:
– O coronel esteja a gosto!... Em que pode ser servido?
Soltando mais uma remessa de fumaça no recinto, ALTAMIRANDO SOCÓ, maior estancieiro do lugar, distribuiu estipulações autocráticas:
– Procuro um cabra safado que, de tão safado que é, nem pescoço tem. As saboneteiras nos ombros estão para engolir a sua cabeça. Ainda, assim, teve o desplante de aplicar uma multa indevida, solteira das leis e regulamentos, na fazendinha de meu vizinho o compadre ATAXERXES ZABULÃO. Por isso, preciso ter um particular, de pessoa para pessoa, com esse sujeitinho.
Do fundo da repartição, em caixote escondida, saiu uma ponderação, alinhavada no medo, em formato de indulgência tributária:
– O coronel não tenha cuidado!... O erro já foi reparado. E, se o distinto militar quiser, pode passar no “caixa” e receber os abonos a que seu compadre tem direito.
Caso resolvido, de volta para a sua estância, em lombo de montaria fagueira e de trote manhoso, comentou com o compadre da multa:
– Esse povo das repartições não aguenta uma reclamação feita por voz grossa!... Nem foi preciso usar as armas. É o que eu digo: é um pessoal frouxo, seu compadre. Dá até saudades das milícias getulianas, do tempo em que o Estado Novo andava em gestação de governo.
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