Porto Velho (RO) quarta-feira, 11 de março de 2026
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Gente de Opinião

Luka Ribeiro

SÉTIMO DIA CANCELADO


                Felipe Azzi

 

                Era o velório dos 78 anos de Santinha Cabreúva do Amaral. Veio gente de toda parte, parentes próximos e distanciados, amigos e conhecidos de pequeno e longo curso. A sala expelia pessoas por janelas e portas, a ponto de ser utilizado o caramanchão há tempos abandonado ao lado da casa. Circunstantes, movidos a café, licor de jenipapo e outros “bebericos”, reforçados por biscoitos de araruta e salgadinhos de fino gosto, conversavam enaltecendo as qualidades de Santinha: que “ela foi isso... foi aquilo... pessoa de coração frouxo de não negar adjutório que fosse a quem pedisse”.

                A um canto, próximo ao esquife, dois compadres conversavam sobre os predicados de moças donzelas e damas de respeito, misturados com assuntos de politicagem rasteira. Eram eles: o Coronel Simplício Maldonado Cavallero, dono de posses e galo muito fino em terras de Ribeiralta; e o Major Serzedelo Magote dos Santos, imperador dos seringais de Boca do Acre, no Amazonas.

                Maldonado, em tom velhaco, pergunta a Serzedelo:

                 – O compadre conheceu bem Santinha?... Digo, do tempo das mazurcas...

                Serzedelo, morador distanciado do lugar, respondeu:

                – Conheci Santinha do tempo da mocinha, muito apreciada do catecismo e das rezas devocionistas!

                Redarguindo, mais velhaco ainda, Maldonado disparou:

                – O compadre perdeu a missa toda!... Saiba o amigo Magote que Santinha era uma espevitada... um furacão dos bailes carnavalescos de Japurá... Para o seu governo, compadre, ela tinha um trabalho de joelhos no Dacar que derrotava qualquer folião. Uma ocasião eu quase perdi um “pivô” só no repuxo do beijo de Santinha!

                De repente, esvoaçando margaridas, cravos e miosótis  pela sala, Santinha, sentada no caixão, descarregou na pessoa de Maldonado um tiro de canhão mal-assombrado:

                – Cretino mentiroso!... Tenha respeito por uma defunta... “Trabalho de joelhos” tinha a tua avó, descarado!... Mazurca é coisa de “calhordice” e “sem-vergonhismo”, “praticagens” próprias da tua raça!

                E mais Santinha não disse, porque se viu sozinha. O povaréu alarmado pecou carreira para ficar de butuca, de longe, assistindo ao involuntário “ressuscitamento” de Santinha.

                A cidadezinha de Japurá Mirim via, pela primeira vez, um caso de catalepsia.

 

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