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Lucio Albuquerque

10 de julho – 42 anos da morte da Madeira-Mamoré - 4



Para historiador, Brasil descumpriu o Tratado de Petrópolis
 

            A extinção da Madeira-Mamoré, com sua substituição por uma estrada sem as exigências estabelecidas pelo Tratado de Petrópolis representou um desrespeito a um acordo internacional, isso a par dos prejuízos que essa situação gerou para o então Território Federal de Rondônia, e quem afirma isso é o mais respeitado historiador estadual, o professor Abnael Machado de Lima.

            Ele lembra que o último trem apitou dia 10 de julho. “O pátio de estacionamento e manobras do marco zero (a estação ferroviária de Porto Velho) estava ocupado pelos moradores, convidados pelo comando do 5º BEC, aqui chegado em 1966 tendo como principal missão restaurar a rodovia BR-29 (atual 364). O Batalhão assumiu a administração da ferrovia, militarizando-a”.

            Abnael continua: “O objetivo do convite era cientificar solenemente a definitiva desativação, o que foi feito através de discursos vazios a uma plateia silenciosa, apática e em meio a muitas pessoas chorando”. O historiador lembra “esse ato do Governo Federal, feito sem procedimentos de estudos e de planejamento sobre as medidas compensatórias em prol dos habitantes principalmente dos povoados e vilas situados ao longo da ferrovia, cuja produção agrícola, sua atividade extrativista, o corte de lenha para as composições da ferrovia, representavam sua base econômica e sua estrutura social”.

10 de julho – 42 anos da morte da Madeira-Mamoré - 4 - Gente de Opinião

Abnael Machado, historiador
(gentedeopiniao.com.br)

            “A inoportuna paralisação do tráfego ferroviário ocasionou um caos econômico e social, fez muitos moradores abandonarem pequenas localidades e inteiramente desassistidos os que ficaram, desestruturando famílias, economias com fortes prejuízos aos empresários então instalados nas duas cidades das extremas da EFMM, Porto Velho e Guajará-Mirim”.

10 de julho – 42 anos da morte da Madeira-Mamoré - 4 - Gente de Opinião

Guajará-Mirim: A locomotiva e a velha estação do trem

            O historiador, autor de vários livros sobre a região, diz ainda: “O cumprimento da determinação presidencial pelo 5º BEC gerou um desastre econômico e social de imensurável repercussão negativa para o Território. Cas as de alvenaria, prédios da própria ferrovia, armazéns, escolas, igrejas localizadas ao longo da estrada se deterioraram da mesma forma que os equipamentos abandonados e que se transformaram em galinheiros, em abrigos para animais diversos e para árvores. Os roçados, as hortas e os pomares foram transformados em estéreis capoeiras”.

            “Nem houve preocupação real com a preservação histórica daquela que foi a maior epopéia norte-americana fora daquele país. O abandono gerou enorme prejuízo para a história e para o patrimônio público. Isso além do desrespeito a um acordo internacional, porque a extinção da estrada de ferro só poderia acontecer mediante acordo entre os signatários, e a substituição do caminho de ferro teria de ser por uma rodovia com quatro pistas, de primeira classe, totalmente pavimentada, o que não aconteceu”, concluiu o historiador Abnael Machado.

Amanhã: Ninguém protestou, ninguém podia protestar, lembra jornalista

Lúcio Albuquerque

jlucioalbuquerque@gmail.com

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