Terça-feira, 18 de novembro de 2014 - 11h46
Lúcio Albuquerque
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Há dois ou três anos eu participava de uma conversa com várias pessoas, algumas delas das que escrevem sobre história regional, e o tema era qual o dia mais importante para Rondônia. A maioria, claro, apontava para dia 22 de dezembro, data da criação do Estado, houve quem citasse o 4 de julho (de 1960) quando o presidente JK derrubou a última árvore entre as turmas de abertura da BR-29 (hoje 364).
Eu, quando incitado a falar sugeri outro dia: 17 de novembro. Dois ou três olharam em minha direção como se eu estivesse falando algum dialeto das montanhas do Tibete. “O que é que teve no dia 17 de novembro?”.

Diplomatas brasileiros (Barão do Rio Branco de camisa branca) e bolivianos no dia do Tratado.
Naquele dia depois de uma manobra diplomática de grande vulto por parte do brasileiro José Maria da Silva Paranhos Júnior, um nome praticament4e desconhecido da nossa historiografia mas que pode ser facilmente identificado pelo seu título nobre, Barão do Solimões, representantes plenipotenciários brasileiros e bolivianos assinaram o que passou a ser chamado de “Tratado de Petrópolis”, oficialmente, no entanto, o documento tem o nome de “Tratado de Permuta de Territórios e outras compensações”.
Como história, especialmente história regional nem é tanto vista nas nossas escolas, registro que o tratado foi firmado para que o Brasil ficasse com as terras, até então bolivianas do Acre, pagando por elas 2 milhões de libras ao Governo Boliviano e indenizando em 110 mil libras o Bolivian Syndicate.
Isso além de se obrigar a construir uma ferrovia margeando as quedas d’água do Rio Madeira desde a localidade de Santo Antonio a Guajará-Mirim – em 1907 a construtora da estrada de ferro decidiu estabelecer 6 ou 7 KM à jusante seu principal canteiro de obras o que permitiu fazer surgir Porto Velho.
O historiador acreano Marcus Vinícius considera que o Tratado de Petrópolis é a autêntica “certidão de nascimento” do Estado do Acre. E ele está certo, mas, e nós? Bom, foi ali que nós começamos a caminhar.
Imagine o leitor se não tivesse havido a guerra do Acre – gerada pela invasão, por parte de seringueiros brasileiros a terras bolivianas - e o barão não tivesse conseguido fazer valer a posição brasileira. O que seríamos nós aqui pelo que hoje é Rondônia?
Talvez, via eixo do que hoje é a BR-364, tivéssemos outra configuração geopolítica, mas, com certeza, especialmente Porto Velho, não teria a dimensão que hoje detém. Primeiro porque não tendo sido o canteiro principal de obras da Madeira-Mamoré não teria surgido aqui uma cidade do porte que temos hoje. Depois porque o presidente Getúlio Vargas não teria vindo aqui (em 1940) quando decidiu pela criação de um Território Federal, com a capital no então município amazonense de Porto Velho.
Por isso em tendo ser a da ta de 17 de novembro a de maior importância para nós de Rondônia, do ponto de vista histórico. Mas, como outras datas e fatos importantes da terra apadrinhada por Rondon, ela continua escondida debaixo do tapete da nossa memória histórica que não cultua vultos, fatos e datas importantes – até porque os entes e instituições que deveriam dar atenção a isso preferem fazer de conta que não sabem.
E nem querem saber.
Inté outro dia, se Deus quiser!
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