Sábado, 26 de abril de 2025 - 08h00

Andei percebendo que tenho excesso de
sensibilidade, aliás, de sensibilidades, tantas são as coisas que, de alguma
forma, cada vez mais ou emocionam, perturbam, fazem sofrer, chorar ou sorrir.
Ou fazem mal, mesmo que não seriamente. Fora também perceber que outras não
mais afetam, o agora “Não tô nem aí”.
O ponto de partida para pensar no assunto é quase uma
bobagem, mas é de bobagem em bobagem que a gente vai se conhecendo, percebendo
inclusive as mudanças que vêm com o tempo. É preciso sempre estar bastante
atento a si mesmo na caminhada. E sensibilidade pode ser um ponto.
Essa semana passei uns dias a trabalho em uma gigantesca
feira de logística, Intermodal South America, que reuniu mais de quinhentos
stands de tudo, mas tudo mesmo, relacionado a portos, transportes, navios,
cabotagem, o que se pensar em volta do tema, até robôs. Foi no chamado Distrito
Anhembi, um daqueles enormes locais de evento que se multiplicam em São Paulo,
sempre centro de negócios, e onde até para chegar se enfrenta stress e
multidões, e o que já começa a mexer de forma sensível com quem é mais
acostumada ao silêncio e encontro de poucas pessoas.
Lá, e certamente em todos os eventos desse tipo, a
quantidade de sons e luzes é indescritível; tudo é feito para causar impacto,
chamar a atenção. Percorre-se quilômetros em seu interior – no final dos dias,
vi bem isso no meu marcador diário de passos. Tem quem adore, ou vá apenas
atrás de brindes, e pelo que vi nesse momento de crise não passaram de sacolas
e canetas. Tá bem, admito, aproveitei e refiz meu estoque de sacolas para levar
às compras, evitando os sacos plásticos.
Mas o resultado é sair de lá esgotada, e imagino bem como
ficam os organizadores e participantes. No meu caso, essa sensibilidade se
agravou pelo vício, desde criança, em ler tudo o que passa na minha frente, de
quem dá Graças a Deus pela Lei Cidade Limpa instituída aqui na Capital (embora
esta esteja sendo atacada seriamente de todos os lados, e especialmente por
painéis de led surgindo disfarçadamente em todos os cantos, fora o descaso da
Prefeitura com faixas e cartazes em postes). Imagine isto numa feira com mais
de quinhentas marcas, símbolos, “ativações”, como chamam. Uma dessas, uma
estridente buzina que tocava de quando em quando anunciando algum negócio
fechado – mas uma daquelas buzinas de navio, sabe qual? Um foooomm profundo.
Cada vez mais tenho sensibilidade a sons, o das obras que destroem e constroem
a barulhenta cidade, fora as musiquinhas por aí que vou te contar, intragáveis.
Claro que sei que sensibilidade é muito mais do que isso, e
além da dor, como a terrível quando ataca nossos dentes nos prazerosos momentos
de um bom sorvete. É uma capacidade. Um sentimento, sensorial como o que
descrevi, emocional, social, uma forma de cada um ver e sentir o seu ao redor,
os fatos aos quais é suscetível. Esses dias a morte do Papa Francisco
certamente mexeu com a sensibilidade de alguns milhões de pessoas. Um dos motivos
é justamente lembrar o quanto de temas aos quais ele era plenamente sensível e
a importância de suas ações e palavras na tentativa de transformação do planeta
que cada vez vive uma realidade tão inóspita e incerta. Agora ainda mais.
Sensibilidade é capacidade de sentir, e até a reagir a
estímulos. É muitas vezes a empatia. A capacidade de solidariedade ao
sofrimento alheio. É emoção, o perceber muito mais do que o que se apresenta
diante de nós. É até um sofrer coletivo em momentos duros, expressivos e que,
mesmo distantes, sentimos, e muitos nos deixam à flor da pele, essa expressão
que tudo tem de bonita.
E você? É sensível especialmente ao quê? Já pensou sobre
isso? Pode até ser bobagem. Ou não.
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MARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação,
editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano - Bom para mulheres.
E para homens também, pela Editora Contexto. (Na Editora e na Amazon). Vive em
São Paulo. marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br
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