Sábado, 28 de março de 2026 - 08h01

Ando
especialmente emotiva, mantendo humor e otimismo a todo custo. Preciso
perguntar: você também tem tido de vez em quando a angústia de ter acreditado
que não veria mais momentos tão estranhos, tantas barbaridades? Uma tristeza,
certo desânimo? Cansaço? Surpresa? Normal. Equilibre-se, vale a pena manter a
trajetória.
As batalhas vencidas
dia após dia, o tempo, tanta coisa para contar, tantas histórias que acho até
engraçado o número de pessoas que me pedem que as reúna em um livro, olha só!
Tremor de terra para as mais picantes! Brincadeira...! Gosto de contá-las,
algumas por aqui nos artigos semanais, outras relembrando quando encontro
pessoas queridas, que testemunharam a mesma época. Passagens que é bom ter quem
possa confirmá-las – e que não me faltaram nunca, até melhoraram os relatos,
embora infelizmente muitas agora já nem mais estejam por aqui, embora sempre
vivíssimas nos pensamentos.
Tem quem até hoje ainda
me rotule como “exótica”; sorrio, em dúvida - estranho se isso é bom ou mal.
Desde muito cedo vivo em todos os mundos, dos mais austeros aos mais loucos e
interessantes, convivendo com pessoas de todas as classes, categorias, gêneros,
profissões. Creio que esta seja uma das minhas maiores riquezas. Na imprensa há
50 anos, no feminismo com mulheres incríveis, na política, na arte, convivendo
com artistas, pintores, fotógrafos, escritores, atores e atrizes, gente da
moda, criadores, toda a geração. Nos amores. Já fui da vida noturna, não mais,
mas da vida mundana trago gente mais do que especial, até divinas divas,
brilhantes. Fico feliz que hoje se espalhem mais livres e aceitas. Muita coisa
não era assim – menos caretice agora, ufa!
Não é nostalgia. Talvez
seja um pouco de utopia de não querer mais tantas guerras terríveis e sem
noção. Chorar quieta todos os dias com as notícias de incontroláveis e
incontáveis feminicídios, saber – pior, ter sentido na pele em plena juventude
- o que é ou foi o sofrimento dessas mulheres. Agradecer por ter sobrevivido.
Brinco sempre que sou de circo, me equilibrando no trapézio da vida. Aguentando
firme. Meio palhaça.
Esta semana serei
homenageada, uma honra, vejam só, por um grupo pelo qual tenho verdadeira
paixão, gerações do Jornal da Tarde, o inesquecível jornal do Grupo Estado que
acabou em 2012, mas manteve a união de muitos de seus jornalistas – nos
reunimos todo ano em um almoço. Resolvi, cedo, ser jornalista, e sonhando ser
de lá, onde estive por cinco anos, e de onde sai há 40 anos. Parece que foi
ontem. O histórico fotógrafo Reginaldo Manente será outro homenageado.
Tudo isso mexe muito
com a memória. Ver a lista de presença e recordar de cada um e uma desses
grandes jornalistas. Relembrar as matérias, festejar as amizades sinceras, a
vida, as quedas e levantadas. Perceber que valeu muito a pena ter me mantido na
minha linha, me equilibrando. Na batalha, por mais dura que seja; ou que já
tenha sido.
_________________________
MARLI GONÇALVES –
Jornalista, cronista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo,
autora de Feminismo no Cotidiano, Coleção Cotidiano, Editora Contexto. (Na
Editora e na Amazon). Vive em São Paulo, Capital. marligo@uol.com.br /
marli@brickmann.com.br
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Sábado, 28 de março de 2026 | Porto Velho (RO)
... Daniel Vorcaro abrirá a boca e fará tremer o país, tentando dividir a sua culpa e envolvendo o céu e a terra. O agora ex-banqueiro festeiro não

É guerra para confundir? Só pode ser.
Quantas frases de autoria desconhecida. Uma delas, a de que “na guerra a primeira vítima é a verdade”, certeira. Em todas as guerras, inclusive as d

Levantam uma pontinha do tapete e de lá saem cobras, lagartos, fura-olhos, mindinhos e traições, escancarando casos, revelando personagens. O poder

Mas estamos sendo caçadas por aí, sem dó. Chega. Somos muitas, somos mais, e muito mais do que histórias logo esquecidas no dia seguinte, que viram
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