Sexta-feira, 28 de outubro de 2016 - 10h07

Montezuma Cruz
Entre Pimenta Bueno e Rolim de Moura, os atoleiros da RO-479 eram bem parecidos com os da BR-364. Fiz minha primeira viagem à Zona da Mata rondoniense em 1979 e senti na pele o que significava isolamento para o povo daquela região.
A precária RO-479 não passava de um longo caminho cortando a floresta ainda povoada por árvores de angico, castanheira, cerejeira, guaritá e mogno, algumas com mais de 20 metros de altura, diariamente arrancadas e transformadas em toras em serrarias desses municípios.
A estrada desafiava carros, ônibus e caminhões. Nem o valente jipe Willys 1962 da Paróquia de Cacoal, emprestado pelo padre Franco Vialetto, escapou de suas garras.
Saímos às 7h de Cacoal, cortamos a BR-364, no rumo de Rolim. No volante, padre Zezinho Cavalieri atravessava lamaçais, um atrás do outro, mas ao chegar nesse aí da foto, empacou. Ali estavam desolados colonos, alguns descalços, outros com botas, em torno de uma picape carregada de mantimentos.
Com a ajuda deles, desatolamos, mas lá na frente outra vez a estrada nos derrotava e já não havia mais solidários colonos para nos auxiliar. Vencemos 64 quilômetros em 14 horas de viagem.
Chegamos a Rolim por volta de 21h. Num rancho de pau a pique, arremedo de lanchonete, só havia pão com mortadela e cachaça. Pedi licença aos padres e mandei ver.
Repórter na Secom-RO. Chegou a Rondônia em 1976. Trabalhou nos extintos jornais A Tribuna, O Guaporé, O Imparcial, O Parceleiro, e na sucursal da Empresa Brasileira de Notícias (EBN). Colaborou com o Alto Madeira. Foi correspondente regional da Folha de S. Paulo, O Globo e Jornal do Brasil.
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