Segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011 - 16h44
MONTEZUMA CRUZ
Editor de Amazônias
Entre os municípios de Ariquemes e Jaru, cerca de trezentas famílias atrapalhavam empresários vindos de São Paulo para investir na compra de terras devolutas em Rondônia. No antigo Seringal Nova Vida, espancamentos e mortes sensibilizaram os parlamentares da Amazônia. Não seria na década de 1970 que a reforma agrária levaria esperança àqueles assentamentos paupérrimos e doentes, no meio da Floresta Amazônica.
Os irmãos Arantes, de São Paulo, se tornaram os novos donos de Nova Vida, conseguindo estender a sua influência a mais de 300 mil hectares. Para tanto, juntavam ao patrimônio outra área de terras conhecida por Milagres. E insistiam no Incra, alegando ter “direito legítimo” àquele território.
Haviam chegado a Rondônia em meados dos anos 1970 e na década seguinte se tornariam donos do maior laboratório de genética bovina da Amazônia Ocidental. Naquelas terras por onde atualmente desfilam vacas e touros de alta linhagem travavam-se conflitos sangrentos pela posse da terra.
Haviam feito derrubadas para o plantio de lavouras de milho, arroz, feijão e mandioca. Talvez passasse pela cabeça deles que um dia as pastagens tomariam conta da região.
Em agosto de 1979 a situação se agravava: pistoleiros atingiam os irmãos Alcedino Lucindo e Aristeu Lucindo com balas de revólver 38. Esses posseiros tombavam depois de muito lutar em defesa de seus lotes de terras.
Aristeu e Alcedino deixavam viúvas e filhos menores.
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