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Montezuma Cruz

Camponeses fazem reforma agrária com as próprias mãos



"O povo está produzindo arroz, feijão, café, cacau, banana e várias outras frutas e legumes" 


EPAMINONDAS HENK
Agência Amazônia

JARU, RO – Às vésperas da passagem do ano, o clima em Canaã é de expectativa. Camponeses acampados na Linha C-40, a 50 quilômetros de Jaru, esperam o iminente despejo judicial. Eles sabem que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) ainda não possui um projeto para assentá-los na área de 1,5 hectares, um antigo pasto e capoeirão agora transformado em área produtiva. Jaru fica a cerca de 300 quilômetros de Porto Velho.

Apontado pelo Governo de Rondônia como proprietário da área, o sr. João Arnaldo Tucci não teria cumprido um contrato de aluguel de terras públicas firmado com o Incra, mesmo obtendo financiamento público. Em conseqüência de despejos anteriores, dois camponeses – um era menor na época – foram torturados por policiais militares de Ariquemes, em julho de 2006.

Num relato transmitido esta semana à Agência Amazônia e também mostrado no site "Resistência Camponesa" (* link no final desta matéria), representantes das 118 famílias de acampados afirmam ter plantado nos lotes cortados por eles mesmos, o suficiente para colher cinco mil sacos de milho no início de 2009. Foi uma reforma agrária às avessas e na marra.

Camponeses fazem reforma agrária com as próprias mãos - Gente de Opinião
Galinhas e porcos garantem subsistência com arroz, milho e cacau / DIVULGAÇÃO

"O povo está produzindo arroz, feijão, café, cacau, banana e várias outras frutas e legumes", diz o relato. Também há criações de galinhas e porcos na área ocupada. Várias famílias já estão morando em casas de tábuas e dezenas de crianças estão em idade escolar, mas não freqüentam escolas. Elas não existem. 

 Truculência

Camponeses vizinhos reconhecem que, se não fosse pelos moradores nas Áreas Canaã e Raio do Sol, o ônibus da linha C-19 não estaria mais circulando diariamente. Não é o bastante para que eles afastem o fantasma do despejo.

Dizem que João Tucci "já financiou vários despejos em Canaã, quando policiais militares praticaram todo tipo de truculência". O resultado disso foi a queima de barracos, perdas de cães e 200 galinhas 
Camponeses fazem reforma agrária com as próprias mãos - Gente de Opinião
Famílias já foram despejadas outras vezes 
poedeiras. "Fomos humilhados – homens, mulheres e crianças – e fomos obrigados a passar fome, sede, e fomos fotografados na delegacia", acrescentam.

Relembram da violência contra Nilton de Souza – menor na ocasião – e Marcelo do Carmo Dias, há dois anos. "Eles foram presos e espancados por policiais militares de Ariquemes, amarrados na carroceria de uma viatura por horas, debaixo de sol quente, enquanto os policiais almoçavam".

"Nilton levou choques elétricos e ficou detido no Conselho Tutelar de Ariquemes por dois dias, de onde foi liberado sem dinheiro, só com um cafezinho no estômago. Só foi encontrado por seus familiares na BR-364, depois de ter andado cerca de 40 Km, voltando para Jaru. Marcelo teve três costelas quebradas e ficou preso vários dias sem atendimento médico. Os policiais destruíram seus exames de raio-X e quebraram sua moto para dizer que eles se machucaram ao cair dela", denunciam. 

(*) Acesse Resistência Camponesa

Fonte: Montezuma Cruz - A Agênciaamazônia é parceira do Gentedeopiniao.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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