Quarta-feira, 16 de março de 2011 - 18h40
MONTEZUMA CRUZ
Editor de Amazônias
Roupas simples, um dos perseguidos pelos jagunços do fazendeiro José Milton de Andrade Rios viajava de ônibus para Porto Velho, hospedando-se num hotel próximo à velha Estação Rodoviária. Havia aberto uma área de terras no Seringal Muqui por recomendação do próprio Incra. Seu nome figurava na pré-seleção de futuros assentados e ele ainda alimentava esperança em ser dono do seu chão.
Em 1980 o mineiro Amilton Inácio de Oliveira, 41 anos, não conseguia curar as
feridas. Vira os jagunços sacudirem 40 sacos de arroz colhidos por seu sogro e outros sete colonos. Vira o incêndio de um cafezal, a destruição do engenho de canaa-de-açúcar e dos cabos de enxada. Ninguém reagira.
Criando coragem, tomou o rumo do Palácio Presidente Vargas, a sede do governo rondoniense, onde foi recebido pelo próprio governador do Território Federal, coronel Jorge Teixeira de Oliveira, o Teixeirão.
Durante um encontro do qual participavam o delegado da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), João Maia, e o chefe da Casa Civil, Rochilmer Melo da Rocha, o posseiro Amilton arrancou do bolso uma velha foto, na qual apareciam seus quatro filhos, perto de um rancho. Três haviam morrido de malária e de hepatite.
Às vezes tido como durão, o governador despiu-se de qualquer capa ou aura de bravo. Emocionou-se com o infortúnio de Amilton. E o ajudou.
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