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Montezuma Cruz

O cacau ressocializa


O cacau ressocializa - Gente de Opinião
Apenados e pequenos produtores de Porto Velho e entorno começam amanhã (28) cedo a aprender com a Ceplac técnicas de condução, formação e manutenção de lavouras de cacau. Esse trabalho vem sendo feito há algum tempo, com o objetivo de ressocializar detentos e garantir a sustentabilidade e melhoria de renda.  

O treinamento em enxertia de cacaueiros de alta produtividade acontecerá na Fazenda Futuro, administrada pela Secretaria de Justiça do Estado de Rondônia. Até o final do curso de dois dias, três mil mudas estarão prontas.

O cacau amazônico foi embora para a Bahia, de lá voltou, e hoje começa a fortalecer a exportação brasileira. Safras rondonienses são adquiridas por cerealistas e, em grande parte, pela Barry Callebaut, uma das maiores processadoras de cacau do mundo, em Ilhéus (BA).

Em princípio, contam historiadores, os europeus não gostaram muito do tal tchocolatl descoberto pelo povo asteca que habitava o México desde o século XIV. Tratava-se de um presente divino,  exatamente, de Quetzalcoatl, "deus da sabedoria e do conhecimento".

Aqueles primitivos seres da América Central descobriram que as sementes de cacau poderiam ser amassadas e transformadas em uma bebida deliciosa, o tchocolatl, para eles, apetitosa, já que os europeus só foram pôr defeito na bebida no final do século XV, quando lá chegaram e o consideraram "amargo, gordurosa e picante!". É que o chocolate daquele tempo era muito diferente do que conhecemos hoje: não levava açúcar e ainda era misturado à pimenta e outros temperos fortes.

Já no século XVIII, o botânico sueco Carlos Lineu, inspirado por essas histórias e pelo sabor do chocolate, batizou a árvore do cacau de Theobroma cacao (em grego, alimento divino).

Apreciei muito na manhã desta segunda-feira, um chocolate sem glúten exposto na mesa do coordenador da Ceplac no estado, João Batista Nogueira. Nem sabia que era fabricado em Ariquemes.  

Do que concluí: a base para o êxito da indústria local e das exportações está mesmo na multiplicação do zelo e de conhecimentos. Vejam os senhores, isso acontece em pleno Sistema Prisional rondoniense, único no gênero em toda Amazônia. 

Viva a Fazenda Futuro !

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