Porto Velho (RO) quinta-feira, 12 de março de 2026
opsfasdfas
×
Gente de Opinião

Montezuma Cruz

Paredão do Inferno traz à tona cadáveres de mergulhadores


Paredão do Inferno traz à tona cadáveres de mergulhadores - Gente de OpiniãoMONTEZUMACRUZ
Editor de Amazônias

 

Nessa febre espalhada por Rondônia entre 1984, 85 e 86, o garimpo era de fato a primeira opção de trabalho para multidões de desempregados em Porto Velho e noutras médias e grandes cidades brasileiras. A cidade, suas boates, restaurantes e lojas de compra de ouro foram tomadas por motoristas de táxi, ex-posseiros, donas de casa, ambulantes, professores, policiais, cobradores de ônibus, prostitutas, seringueiros e até pedintes, todos cegos pelo brilho dourado.

 Quando a diretoria do Singro queria expulsar Mirasselva Carneiro dos seus quadros, os balseiros associados Ivo Amaro Luciano e Francisco Alves de Melo manifestavam-lhe solidariedade e elogiavam a atitude da líder de classe. “Ela não deixou escapar nada”, diziam.
 

Luciano e Melo haviam sido escorraçados do Garimpo Serraria, onde os dragueiros já imperavam, num clima de bagunça e desarmonia. Era uma das áreas onde faltava policiamento sério

Gente de Opinião

Garimpo: perigo constante e luta pela sobrevivência no Rio Madeira /RUBENS PILEGGI SÁ

para defendê-los de roubos, assaltos e da violência em geral.
 

Os bandeirinhas (táxis fluviais) passavam apuros naqueles confins rondonienses onde o breu da noite escondia o rosto de bandidos e de alguns maus policiais à espreita do próximo assalto. Esses transportadores também entrariam no rol das vítimas, perdendo dinheiro, motor do barco e a própria vida.
 

Cortava-se o mangueiro e lá ficava mais um corpo nas profundezas do Rio Madeira. Quando o motor da draga acionava o sugador, juntamente com o ouro e sedimentos vinham para a superfície cabeças, pernas e costelas de mergulhadores.
 

“É incalculável o número de pessoas que morreram e ainda morrem ali; umas, por acidentes causados pelas dragas que invadiram a área, outras assassinadas”, Melo dizia a este repórter (*). A maioria dos mortos nunca apareceria, porque os donos de balsas nem se davam ao trabalho de resgatá-los, o que evitava despesas com o translado do corpo para familiares – isso, quando se sabia onde moravam.
 

A dupla de balseiros apontava o funcionamento de dragas a todo vapor no Garimpo Paredão do Inferno, principalmente aquelas com 12 polegadas, que tiravam a cada semana seis quilos de ouro. Das quinhentas dragas em atividade naquela área, a metade possuía essa medida.


NOTA
 

(*) Na época fui um dos editores Do semanário O Garimpeiro, ao lado dos jornalistas Nelson Severino e Luís Roberto da Cruz.}
 

Siga montezuma Cruz no

 Gente de Opinião

 
www.twitter.com/MontezumaCruz

 


Clique AQUI e leia artigos anteriores 

 

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

Gente de OpiniãoQuinta-feira, 12 de março de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Antes do Estado, a escravidão; horrores vistos pelo repórter

Antes do Estado, a escravidão; horrores vistos pelo repórter

A prática do trabalho em condições análogas à escravidão em Colorado do Oeste, Cerejeiras, Chupinguaia e Vilhena estava longe de ser um fato novo, c

O jumento é nosso irmão

O jumento é nosso irmão

Em meio século de Rondônia, o jornalista cearense Ciro Pinheiro de Andrade viu a saga da cassiterita. Seu olhar sociológico traz para análise histór

O menino viu

O menino viu

O garoto que caminhava nos arredores do Centro de Triagem de Migrantes (Cetremi), em Vilhena, não teve dificuldade para ver de perto o cadáver no chão

Direita chama esquerda na USP, e o parto urbanístico de Rondônia saiu muito bem

Direita chama esquerda na USP, e o parto urbanístico de Rondônia saiu muito bem

Saudoso geógrafo Milton Santos, da Universidade de São Paulo (USP), é um personagem pouco conhecido na história de Rondônia. Pudera, ele trabalhava

Gente de Opinião Quinta-feira, 12 de março de 2026 | Porto Velho (RO)