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Montezuma Cruz

Repórter sem salário leva bobina de papel para casa


Repórter sem salário leva bobina de papel para casa - Gente de Opinião

Em 1982, Cristina Ávila surpreendeu o empresário José Múcio Athayde Froes, arrendatário de O Guaporé, ao levar para casa uma bobina de papel-jornal com mais de trezentos quilos /MONTEZUMA CRUZ
 


 
 

MONTEZUMA CRUZ
Editor de Amazônias

 

O empresário José Múcio Athayde Froes, construtor de edifícios na Barra da Tijuca no Rio de Janeiro, arrendara o jornal O Guaporé, com o qual fez a sua campanha para deputado federal, elegendo-se pelo MDB em 1982. Não tinha necessidade, mas chegou a atrasar salários.
 

Se imaginou a acomodação da equipe, conformando-se com as justificativas do seu departamento pessoal e financeiro, deu de cara com a reação da gaúcha Cristina Ávila. Ela recorreu à Justiça e aí o empresário percebeu do que eram capazes aqueles aguerridos repórteres. O juiz determinou que Cristina levasse um bem da empresa em troca de uma parte dos seus salários atrasados, e qual não foi a surpresa, quando ela se viu obrigada a receber uma bobina de papel-jornal?
 

O pagamento pesando trezentos quilos foi levado pela repórter para sua casinha de madeira na barranca do rio Madeira, onde morava com o companheiro, professor Walter Mendes, e com a filha Ana Mendes.
 

Nunca vira nada igual. Imaginem a Cristina contratando um caminhãozinho freteiro para levar o bobinão pesado até sua casinha, ali perto da área onde foi erguida a barragem da Usina Hidrelétrica de Santo Antonio.
 

 No começo ela suportou a gozação dos colegas, entretanto, o incômodo em sua salinha de jantar não durou mais que um mês, pois o advogado e jornalista Rochilmer Melo da Rocha, proprietário de A Tribuna, comprou-lhe o papel para usá-lo no seu diário.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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