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Montezuma Cruz

Repórteres escorraçados e advogado morto, bem antes da Leste


Repórteres escorraçados e advogado morto, bem antes da Leste - Gente de Opinião
"Os repórteres Abelardo Jorge e Dalton di Franco, de A Tribuna e Rádio Caiari, e os fotógrafos Rubens Nascimento e Maria José, do Alto Madeira foram obrigados a deixar uma área de terras invadida por cerca de 200 posseiros, sob a proteção da Polícia Militar, no último fim de semana. 

A área é pretendida na Justiça de Porto Velho pelo Grupo Coringa, pertencente ao empresário Francisco Sorviezosky. Algumas famílias que ocuparam área próxima à Avenida Rio Madeira desde terça-feira passada foram incitadas pela vereadora Raquel Cândido (PMDB) e pelo advogado Magnus Guimarães, ex-deputado federal e presidente provisório do PDT" – eu escrevia na edição de 6 de fevereiro de 1984, do Jornal do Brasil, do Rio de Janeiro.

A cidade dava sinais de estender-se para as terras onde cresceu a zona leste. A lei do mais forte predominava com força gigantesca. Os repórteres foram escorraçados daquela área e, por pouco, não lhes trancaram no xilindró.

Contrário aos interesses de grupos que se consideravam proprietários de áreas situadas além da Avenida Jorge Teixeira (ex-Avenida Kennedy), o advogado Agenor Martins de Carvalho pagou com a morte, quatro anos antes, em 1980. Voltava de um aniversário na noite de nove de novembro de 1980. Deitou-se na cama do seu quarto, na casa da Rua Julio de Castilhos. Minutos depois, o pistoleiro abre a janela e disparou um tiro certeiro no seu coração. Passei ontem à tarde lá em frente, a janela ainda é a mesma. 

Saudoso Agenor, goiano de Porangatu, ex-secretário geral do MDB, sabia que mexia com peixes graúdos, tubarões dentudos, entretanto, não temia conviver com o latifúndio, que o mantinha sempre na mira. Suas ações em defesa das famílias de posseiros e dos sem-teto da Nova Porto Velho, Bairro da Floresta e adjacências abalavam a sólida estrutura do empresário José Milton de Andrade Rios e do empresário Carlos Figueiredo, dono do antigo Hotel Floresta, onde foi construída a sede do Tribunal Regional do Trabalho. 

Hoje a avenida é um brinco. Antes, chão batido, foi banhada de sangue.

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