Terça-feira, 7 de junho de 2011 - 19h56
MONTEZUMA CRUZ
Editor de Amazônias
Pressionada pelo Tribunal Regional Eleitoral, a direção da TV Rondônia, Canal 4, cancelou a participação do jornalista Paulo Queiroz no Programa “Nossa Revista”. Essa tesourada no mais renomado cronista político rondoniense veio na esteira da aplicação da Lei Falcão (Resolução 10.445), que limitava a propaganda eleitoral em jornais, rádios e TVs.Foi o que noticiei no Jornal do Brasil na edição de 24 de setembro de 1982, ano das primeiras eleições. A liberdade de expressão que caracterizava muito bem aquela situação virou momentamente letra morta diante do silêncio geral.
Fosse editor em jornais locais, PQ não deveria ter sido o alvo direto do draconiano efeito dessa lei. Por comportar normas estritas como a do art. 9º, em que “o candidato “não deveria empregar meios destinados a criar artificialmente na opinião pública, estados mentais emocionais ou passionais” –
e não ter sido elaborada por especialistas em publicidade, a Resolução admitia grande número de controvérsias e interpretações.”PQ não era candidato a nada. Apenas sentia-se na obrigação de noticiar a vinda do então líder metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva a Rondônia, em oito de outubro daquele ano. Fazia isso com a discrição que sempre o caracterizou.
Enquanto os holofotes de “Nossa Revista” se apagavam para o seu comentarista político, as ondas da Rádio Caiari, da Diocese de Porto Velho, propagavam dia e noite o PDS governista que elegeria a maioria dos seus candidatos.
O regime militar ainda vigorava naquele ano, quando o povo desta terra “lavaria a alma”, votando em senadores, oito deputados federais e 24 parlamentares constituintes.
PQ não mais retornaria à telinha da TV Rondônia às 12h45. Era vítima de uma abominável censura, algo indigno para um profissional que durante todo o tempo de analista político cuidou mais de explicar do que confundir.
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