Terça-feira, 12 de fevereiro de 2008 - 12h34
Comitê que defende famílias acusa os governos federal e estadual de cinismo e desprezo.
MONTEZUMA CRUZ
montezuma@genciaamazonia.com.br
VILHENA, RO – A indenização do Governo de Rondônia de um salário mínimo mensal apenas aos parentes "das vítimas fatais" da Chacina de Corumbiara desagradou o Comitê em Defesa da Revolução Agrária e dos Direitos do Povo (Codevise), defensor dos interesses de sem-terra que ocuparam a Fazenda Santa Elina no final da década de 1990. Segundo a entidade, a Assembléia Legislativa aprovou projeto de lei "sem ao menos ter discutido com as vítimas". Com isso, queixa-se o Codevise, advogados contratados passam a orientar as vítimas para acordos administrativos com o Estado, em troca da luta por indenizações na Justiça. O Governo de Rondônia informa que "cumpriu a sua obrigação" ao instituir a pensão. Prometeu prestar assistência às vítimas por meio do projeto denominado Balcão de Direitos.
Na madrugada de nove de agosto de 1995 morreram na Chacina de Corumbiara 11 sem-terra e dois policiais militares. Ficaram feridos outros 55 e 355 foram detidos. Poupado do julgamento do caso, o fazendeiro Antenor Duarte do Valle foi apontado pelos sobreviventes como um dos principais responsáveis pela matança. O mesmo Valle está presente na segunda "lista suja" do trabalho escravo por explorar a força de trabalho de 188 pessoas – maior quantidade de todas as 49 propriedades – na Fazenda Maringá, em Mato Grosso.
O Codevise protesto, dizendo-se "estarrecido" com o fato de que apenas os familiares de vítimas fatais do conflito, entre eles os policiais militares, sejam contemplados com uma pensão de salário mínimo. "Da forma mais cínica, matérias jornalísticas das assessorias do governo do Estado e da Assembléia Legislativa transmitem a informação de que a aprovação de matéria, a fixação de valores da referida indenização "se adequam ao parâmetro da realidade de vencimentos praticados na conjuntura atual", assinala o comitê.
Redução
![]() |
|
Alguns dos sobreviventes do massacre estão hoje interessados em participar do projeto de assentamento em florestas públicas/Fonte Montezuma Cruz |
Quarta-feira, 11 de março de 2026 | Porto Velho (RO)
Antes do Estado, a escravidão; horrores vistos pelo repórter
A prática do trabalho em condições análogas à escravidão em Colorado do Oeste, Cerejeiras, Chupinguaia e Vilhena estava longe de ser um fato novo, c

Em meio século de Rondônia, o jornalista cearense Ciro Pinheiro de Andrade viu a saga da cassiterita. Seu olhar sociológico traz para análise histór

O garoto que caminhava nos arredores do Centro de Triagem de Migrantes (Cetremi), em Vilhena, não teve dificuldade para ver de perto o cadáver no chão

Direita chama esquerda na USP, e o parto urbanístico de Rondônia saiu muito bem
Saudoso geógrafo Milton Santos, da Universidade de São Paulo (USP), é um personagem pouco conhecido na história de Rondônia. Pudera, ele trabalhava
Quarta-feira, 11 de março de 2026 | Porto Velho (RO)