Domingo, 15 de junho de 2014 - 14h42

Mesmo sem querer, a gente acaba se envolvendo com a Copa do Mundo, afinal não se fala em outra coisa. No Rio de Janeiro, há uma grande profusão de turistas em torno evento, e, pelos quatro cantos da cidade, árvores e prédios estão enfeitados de verde e amarelo; o som das ruas mudou: buzinas e apitos estridentes confundem-se de vez em quando com um grito humano: BRASIL! Tudo é euforia! De várias partes do mundo chegam delegações para participar da Copa; parece que tudo ficou mais fácil, parece que tudo ficou mais perto, encurtaram-se as distâncias, o mundo ficou menor.
Isto me reporta à infância longínqua, época em que nosso país era um gigante (era difícil locomover-se de uma região à outra), o mundotinha dimensões incompreensíveis (pelo menos para mim) e o Brasil e o futebol eram inocentes. Em Porto Velho, minha cidade, ouvíamos os jogos num grande rádio de madeira, cuja antena era presa em um fio elétrico, a fim de “pegar” melhor, obra de meu pai, Raphael. Velhos tempos... Sabíamos de cor os nomes de todos os jogadores da Seleção Brasileira, cantávamos freneticamente a musiquinha que reverenciava esses atletas.
A hora do hino nacional era uma hora mágica: grudados no rádio, nós, os moradores da casa, ouvíamos compenetrados a orquestra executar o nosso hino, e a imaginação corria longe, chegava até o país onde estava nossa seleção, aproximava-se de Belini, Didi, Gilmar, Zagalo, Zito, Garrincha, Nilton Santos, Orlando, Pelé, e tantos outros e ouvia-lhes as vozes emocionadas e a respiração ofegante.
Tanto tempo depois, mesmo com todas as transformações pelas quais passou o mundo, agora globalizado, chego à percepção de que a hora do hino nacional continua tão emocionante quanto à da minha infância.
Não importam as diferenças de raça, crença, idioma, ideologia, cultura, desenvolvimento e nível social; ao ouvir o hino de sua pátria, cada atleta apresenta nos olhos o mesmo brilho marejado, pois naquele momento ele é a sua pátria; e uma lágrima contida permanece ali, no canto do olho, até o hino terminar; é o som que arrasta a memória de cada um às suas origens, a seus pais, à sua infância, enfim, a tudo que seu país representa, à sua identidade, à sua própria vida.
BRASIL!
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