Domingo, 23 de julho de 2006 - 13h45
Se há um consenso no país, um discurso unificado de todos os partidos e políticos é o de que a educação se impõe como essencial para a construção do futuro. Nas campanhas não há discurso mais utilizado do que o da necessidade de educação. Nos governos, no exercício do poder a prioridade some, como somem os recursos e a importância do tema. O sr. Lulla da Silva, por exemplo, sempre criticou a falta de verbas para a educação e as políticas públicas de seus antecessores, porém, no governo, o incremento de verbas fluiu para a publicidade e para criar novas instituições deficitárias invés de melhorar o que sempre criticou. Virou exemplo propaganda enganosa.
O ensino universal no Brasil, ou seja, concebido para atingir todas as pessoas continua sendo uma utopia. Os discursos vigentes de ensino público, gratuito, de qualidade e progressista, eliminando preconceitos e assegurando a cidadania, se transformaram, na prática, no Prouni, um programa para encher as bolsas dos empresários privados, no estabelecimento de cotas, um instrumento equivocado que estimula o racismo e o ensino ruim e o esvaziamento acelerado da universidade pública pelo seu sucateamento.
Não se precisa de milhões em diagnósticos para se constatar que o ensino está reduzido a um treinamento ruim, uma instrumentalização das pessoas que as coloca despreparadas para a competitividade implacável e sem preparo empreendedor. Acabam saindo das faculdades sem saber o que fazer com o que aprenderam (quando aprenderam) o que não é de espantar. As nossas escolas não acompanham sequer as mudanças tecnológicas básicas como as do uso de imagens e computadores. Há professores que não podem sequer comprar um livro quanto mais um notebook. Sem salários, sem formação, sem saída buscam a sobrevivência da forma que podem e até se repetindo, sem sucesso, em greves inúteis.
O fantástico é que se exige que sejam inovadores, criativos, exemplos de interseção entre a teoria e a prática munidos dos espetaculares instrumentos de cuspe e giz ou pincel, quando tem. O certo é que o projeto educacional brasileiro reproduz a lógica perversa da economia que pede alta produtividade do trabalhador mal pago, embora no ensino haja um plus pior, os instrumentos de produção são dos tempos da caverna. Nem sequer o básico, uma biblioteca de qualidade, as universidades públicas possuem, quanto mais falar em coisas menos básicas como disponibilidade de micros, softs, data-show. Porém, se duvidar, como fez com a saúde, é capaz de se divulgar que temos um ensino próximo da perfeição. E, com todo este descalabro, o troglodita-mor quer mais quatro anos para piorar tudo mais ainda. Deus salve a América!
Fonte: Sílvio Persivo
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