Sábado, 2 de novembro de 2013 - 11h27
Silvio Persivo(*)
Há entre os economistas, que se dedicam a analisar o País, quase um consenso de que falta coerência à política econômica atual que oscila entre esforços para criar uma taxa mais alta de crescimento e o combate à inflação, que, pelos aumentos sucessivos da taxa Selic, ultimamente vem ganhando. Aliás, uma vitória de Pirro, na medida em que fará com que, este ano, o Produto Interno Bruto-PIB, tudo que se fabrica no País (bens & serviços) durante o ano, tenha um crescimento abaixo do esperado, que já foi 4% nas contas governamentais, e, hoje, na estimativa do mercado, se crescer muito, poderá, no máximo, chegar aos 2,5%. Com certeza, o amortecimento da economia, no final de 2011, com reflexos até agora, adveio de um excessivo rigor na aplicação de taxas de juros mais elevadas que, tem como efeito colateral, o aumento da dívida pública.
O que ainda mantém o otimismo moderado do mercado é o fato de que o ritmo da queda do emprego esteja sendo menor do que o da produção. É preciso lembrar, aqui, que, em 2010, ainda com Lula, foram criadas 2,136 milhões de vagas com carteira assinada, um recorde. Em 2011, quando a presidente assumiu o comando, a oferta caiu cerca de 27%, para 1,566 milhão de postos. Como resultado dos erros de 2011, em 2012, com a atividade econômica perdendo mais fôlego ainda, a abertura de vagas desacelerou, sendo abertas 1,3 milhão de empregos formais. As previsões mais otimistas acreditam que este resultado se repetiria no final de 2013. Apesar de menor, a geração de emprego ainda pode ser considerada boa, capaz de segurar a taxa de desemprego em níveis baixos, porém, a dúvida dos economistas é até quando. Um sintoma foi o baixo crescimento da demanda por empregos temporários neste final de ano e a perspectiva de que o percentual dos que ficarão empregados, que sempre esteve na faixa dos 20%, deve ser reduzido para um patamar entre 12 a 15%. A maior parte dos empresários, apoiados por análises de seus auxiliares, afirmam que, se os custos diretos e indiretos associados ao emprego formal não forem atacados, é grande a possibilidade da presidente Dilma Rousseff terminar o seu governo com o mercado de trabalho com um desempenho francamente ruim. O que vai determinar isto serão os próximos meses, pois, se a economia se recuperar, são maiores as chances do mercado de trabalho continuar dinâmico. Caso contrário, a tendência do emprego será a de continuar a despencar.
O que se verifica é que o Brasil corre riscos, nos próximos anos, de ter um desempenho mais fraco no mercado de trabalho, com efeitos fortes sobre o emprego e renda, se a economia continuar, como está patinando e, sem uma recuperação mais robusta. Os sinais de exaustão do modelo baseado no consumo e no crédito ficaram mais evidentes, neste segundo semestre, sem que o governo consiga dar uma resposta adequada à dificuldade de recuperação da economia. Se, no começo do próximo, persistirem os mesmos resultados, as perspectivas para 2014/2015 tendem a apontar para o agravamento do quadro, com a continuidade de níveis de crescimento medíocres e uma maior queda na geração de empregos.
(*) É economista e doutor em Desenvolvimento Sustentável pelo NAEA/UFPª.
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