Sábado, 18 de abril de 2009 - 17h05
Silvio Persivo (*)
O que não perdôo em Lula da Silva é a desfaçatez com que faz hoje o que, ontem, criticou. Lembro que, quando ainda sindicalista, sem a menor cerimônia chamou de ladrão os senadores Sarney e Collor com os quais, no momento, se abraça. Mas, o pior de tudo, é que quem, no passado, foi o maior crítico da corrupção pode se orgulhar do recorde de escândalos que nunca antes houve neste país. É um fato indiscutível que antes não se havia visto nada igual aos vídeos que mostraram integrantes do governo recebendo propina e gerando o famoso Mensalãoque, depois, foi transformado, por obras de artes marqueteiras, em caixa 2 para a arrecadação de recursos ilícitos para o financiamento de campanha.
É até fastidioso enumerar a série de escândalos impunes que chega agora ao fundo do poço (é o que se espera, mas, nunca se sabe) com a série infindável de denúncias que enxovalham o Congresso e salpicam os demais poderes. É um contraste, que somente se explica pela necessidade de criar factóides, que o mesmo governo que espetacularizou as ações da Polícia Federal assine um acordo com os outros Poderes para fazer, o que seria feito, se apenas se respeitassem as regras e, para tornar o espetáculo ainda mais dantesco, com o presidente dizendo que Ninguém aqui é freira ou santo, e não me consta que no convento também não haja briga.
Ou seja, daqui a o pouco vai considerar natural os desvios das cotas das passagens aéreas das mordomias parlamentares, para financiar viagens ao exterior ou para a folia do carnaval dos convidados do deputado Fábio Faria (PMN-RN). Para quem entende que é elastecer demais o raciocínio basta lembrar que o presidente disse que "Fazer a minha sucessão é uma tarefa gigantesca. Todo mundo sabe que tenho intenção de fazer com que a companheira Dilma seja a candidata do PT e dos partidos. E, para tal, não tem poupado esforços seja reunindo prefeitos, distribuindo recursos para Estados e Municípios, prometendo investimentos, aumentando salário mínimo, não contendo gastos, desonerando impostos e, por último, prometendo fazer um milhão de casas e aumentando o Bolsa Família.
É claro que a alegação em defesa de suas atitudes pode ser sempre a de que todo mundo faz do mesmo jeito, mas, o que se esperava de quem pregou que não tem brasileiro capaz de julgá-lo em termos de ética e de moral seria bem mais do que este triste espetáculo de tentar eleger alguém a qualquer preço. Infelizmente, como tantos outros, o Lula dos palanques dá toda razão a Bakunin que, numa discussão contra Marx, disse sabiamente que: O governo da imensa maioria das massas populares se faz por uma minoria privilegiada. Essa minoria, porém, dizem os marxistas, compor-se-á de operários. Sim, com certeza, de antigos operários, mas que, tão logo se tornem governantes ou representantes do povo, cessarão de ser operários e pôr-se-ão a observar o mundo proletário de cima do Estado; não mais representarão o povo, mas a si mesmos e suas pretensões de governá-lo. Quem duvida disso não conhece a natureza humana. "
(*) È Doutor em Desenvolvimento Sustentável pelo NAEA/UNIR
Quarta-feira, 11 de março de 2026 | Porto Velho (RO)
Os desafios do Brasil num cenário global adverso
Quais são os objetivos centrais das políticas públicas adotadas pela quase totalidade dos 193 países membros da Organização das Nações Unidas? Em te

Aumento do imposto de importação já eleva preços dos celulares no Brasil
O aumento do imposto de importação sobre smartphones, oficializado pela Resolução Gecex nº 852/2026, já começa a gerar impacto no mercado. A alíquot

Reforma Tributária: a conta será mais pesada para MEIs e pequenas empresas
Os pequenos negócios são a espinha dorsal da economia brasileira. Dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) indicam

Cultura e gosto popular: entre a grande arte e o viral
Sinceramente, poucas vezes consigo me sintonizar com os pensamentos de Donald Trump - figura marcante no cenário político moderno e, como todo magna
Quarta-feira, 11 de março de 2026 | Porto Velho (RO)