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Silvio Persivo

Brasil Foods é realismo pragmático


 

Principalmente na segunda metade do século passado as esquerdas latino-americanas, e a brasileira em especial, tinham um inimigo: as empresas multinacionais. Foi um grito comum entre os esquerdistas o “Fora multinacionais” na medida em que, como mantinham seus centros de decisões no exterior, as empresas eram vistas como inimigas do país, risco para a soberania do povo brasileiro e, principalmente, como grandes sugadores da riqueza pátria. A grande diferença é que, no passado, havia, na sua grande maioria, o predomínio das multinacionais norte-americanas e os Estados Unidos eram vistos como o país imperialista por excelência, de forma que tornou-se comum os slogans “Fora ianques” e “Go home trustes”.

É irônico que o Brasil que tanto ajudou a criar este tipo de mito seja agora acusado pelas demais nações latino-americanas de serem “os ianques da vez”, pois, seja no Paraguai, na Bolívia, no Equador ou na Venezuela, hoje, o perigo imperialista é, quem diria, o Brasil com suas grandes multinacionais estendendo seus tentáculos e recebendo em troca o tratamento que deu no passado aos investimentos estrangeiros. Ou alguém dúvida de que a Petrobras, a Odebrecht, a Camargo Correa, a Ambev ou a Vale, só para citar as mais comuns não sejam vistas como empresas gigantes e dominadoras de mercado? Como se vê o mundo mudou. Mudou tanto que a fusão da Sadia com a Perdigão, criando a Brasil Foods, que pareceria impossível tempos atrás, se fez quase por imposição do mercado internacional. Na verdade os seus dirigentes compreenderam que só em conjunto poderiam pesar e ser uma das maiores empresas do mundo na produção e exportação de alimentos industrializados, porém, por isto mesmo também uma nova candidata a engrossar a lista das empresas que, para muitos esquerdistas, compõem o que, para nós, é uma completa paranóia, o projeto imperialista brasileiro da América do Sul. Longe estão de pensar que estamos numa época onde não existe nenhuma intenção imperial, mas, apenas e tão somente as necessidades estratégicas comerciais de empreendedores.

É certo que muitos dos nossos vizinhos, como nós no passado, não compreendem o mundo novo de megaempresas de atuação multinacional, o que no setor de alimentos é indispensável. A questão de criar grandes corporações multinacionais brasileiras é um caminho sem volta e a única forma possível de inserção no comércio internacional. Hoje, em dia, por mais que o esquerdismo infantil não compreenda só há uma coisa pior do que ser explorado por multinacional: é não ser. Quem não tem multinacionais na sua economia, como muitos países da África, estão excluídos do desenvolvimento e da modernidade.

Fonte: Economista com Doutorado em Desenvolvimento Sustentável pelo NAEA, escritor, poeta e professor de Economia Internacional e Planejamento Estratégico da UNIR. E-mail: silvio.persivo@gmail.com

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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