Terça-feira, 1 de março de 2016 - 18h03
Silvio Persivo(*)
Sinceramente, que me perdoe Guilherme Fontes, mas, passar 15 anos para fazer de um tema como o de Assis Chateaubriand um filme menor, é passível mesmo de responder processualmente seja pelo que for. A grande realidade é que Fontes transformou “Chatô-O Rei do Brasil” numa chanchada, numa autêntica e boa chanchada. Nada contra o gênero, que tem seu indiscutível valor, no entanto, se, é verdade, que a chanchada nunca sai de moda, nem por isto se aplica com perfeição a uma personalidade, como a de Chateaubriand, que carece de um tratamento muito mais sério, muito mais aprofundado de suas múltiplas facetas e vida atribulada e rica.
Acrescente-se que, para fazer o filme, Guilherme Fontes cercou-se de grandes nomes do cinema nacional e, pelo que ficou evidente, teve amplas condições de fazer um filme memorável. Não deve ter faltado também pesquisa, na medida em que o filme se imiscui em momentos fundamentais da vida do grande jornalista, todavia, opta por buscar o lado histriônico do personagem, no que se afasta bastante do livro de Fernando Morais, que busca traçar a trajetória e os motivos comportamentais do biografado. A adaptação livre, com momentos de flash back, escolhe diminuir o personagem a uma espécie de Macunaíma paraibano e tende a ter um lado de desvario, de alucinação tropical, quando centra os interesses de Chateaubriand apenas no seu lado sexual ou no acaso, perdendo de vista sua percepção prática do mundo e sua visão original, dada apenas como um viés meramente oportunista.
O filme tem seus méritos? Tem. Se não se tratasse do grande personagem que trata seria, sim, um filme muito bom. É de um tropicalismo surreal com os personagens de animadores de auditório, meio clowns, meio galãs, quase canastrões, numa mistura entre um Chacrinha estilizado e os apresentadores de circo Fellininianos. Não deixa de ser uma retomada do escracho nacional sobre as relações promíscuas do poder e do sexo, porém, nos deixa sem saber, de fato, quem foi, o que fez, qual a importância de Assis Chateaubriand. Seja a de criar uma grande rede de jornais, introduzir a televisão, ou criar uma coleção de arte, como a do acervo do MASP, por meio de achaques, tudo, como as próprias relações amorosas, vira anedota. Tudo bem. Podem alegar que Fontes flerta com a antropofagia e com a iconoclastia. Não nego que pode ser, mas, o filme acaba como se passa: sem deixar rastro. Quando se termina de rir, infelizmente, Chatô desapareceu.
(*) É professor de Economia da UNIR com doutorado em Desenvolvimento Sócio-Econômico Ambiental pelo NAEA/UFPª.
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