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Silvio Persivo

Entenda o "Efeito Dominó" na Economia Brasileira


Entenda o "Efeito Dominó" na Economia Brasileira - Gente de Opinião

Viver no Brasil nos últimos anos tem sido um exercício de resiliência. Entre a sensação de que o dinheiro vale menos no supermercado e a dificuldade crescente de manter um negócio aberto, um fenômeno fica claro: o ambiente de consumo e de produção está sob ataque.

Para entender como chegamos até aqui, precisamos analisar as três engrenagens que estão travando o país: a Reduflação, o Custo Brasil e a Mortalidade das Empresas.

1. O Fenômeno da "Reduflação": Pagando mais por menos

Você já notou que a barra de chocolate diminuiu, o pacote de sabão em pó está mais leve e o biscoito agora vem com menos unidades, mas o preço continua o mesmo (ou subiu)? Isso tem nome: Reduflação.

As empresas, espremidas entre o aumento dos custos de produção e o baixo poder de compra da população, adotam estratégias para não repassar todo o aumento de preço de uma vez:

  • Diminuição de volume/peso: Embalagens menores.
  • Substituição de ingredientes: Troca de componentes nobres por alternativas mais baratas (e de menor qualidade).
  • Alteração de fórmulas: Mudanças químicas para reduzir custos industriais.

O resultado é um consumidor que se sente enganado e índices oficiais de inflação que parecem não refletir a realidade sentida no bolso.

2. O Peso do Estado e a Logística Cara

Não bastasse a inflação, o ambiente de negócios sofre com a "voracidade" do Estado. A Reforma Tributária, embora necessária na teoria, traz incertezas e o temor de uma carga ainda mais pesada para quem produz.

Um exemplo prático do "custo Brasil" é a situação da Amazônia Ocidental (Acre, Amazonas e Rondônia). A BR-364, única via terrestre que liga a região ao restante do país, passou a cobrar pedágio sem apresentar melhorias reais na pista.

O impacto é direto: Se o frete sobe por causa do pedágio e da estrada ruim, o preço do arroz e do feijão sobe na prateleira da região Norte. É o "coice" após a queda.

3. O Cemitério de Empresas: A Asfixia da Livre Iniciativa

Os números são alarmantes e mostram que o empreendedorismo no Brasil virou uma prova de sobrevivência extrema:

Indicador de Mortalidade Empresarial

Taxa de Fechamento

Empresas em geral (até 5 anos)

60%

Setor do Comércio (até 5 anos)

30,2%

Empresas empregadoras (no 1º ano)

20%

Fonte: Ministério de Indústria e Comércio-MDIC/SEBRAE

No primeiro quadrimestre de 2025, o cenário atingiu um ápice preocupante: mais de 973 mil empresas encerraram suas atividades. Isto significa que, para cada três empresas criadas, uma fechou as portas quase imediatamente. O fato de a maioria das novas empresas serem MEIs (Microempreendedores Individuais) indica que muitos estão empreendendo por necessidade, e não por oportunidade, em um mercado que não oferece fôlego para crescer.

O cenário atual sugere que a livre iniciativa está sendo asfixiada. Entre impostos elevados, infraestrutura precária e o baixo poder aquisitivo das famílias, o "bom senso" econômico parece ter sido esquecido. Enquanto o Estado não entender que o excesso de tributação sem retorno destrói quem gera emprego, continuaremos vendo produtos menores nas prateleiras e mais portas de ferro descendo no comércio local.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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