Sexta-feira, 18 de setembro de 2020 - 14h20

Confesso
que sou uma pessoa muito medrosa. Diria que até mesmo, como uma pessoa que
tenta pensar, procura pensar, alguém que tem mais medos do que o normal, na
medida em que se preocupa mais, estuda mais os diversos ângulos dos perigos. E
perigos há muitos que a vida é uma aventura perigosa por mais tranquilo que
seja você e por mais paz que deseje na vida. Aqui lembro, imensamente de meu
pai, que repetia um bordão para nos incitar a sermos corajosos “Ou mato ou
morro! Ou me escondo no mato ou escalo o morro!”. Aliás, dele há uma poesia que
lembra muito o significado do heroísmo, cujos os versos, numa linguagem antiga,
são reveladores: “No sucavão da glória! No sucavão da glória, eu vi as cuecas
do herói”. Esta rememoração provém de que, como os chineses, meu pai dizia que
“briga não é um comportamento de pessoas civilizadas” e aconselhava a correr
delas, todavia, como os chineses,
recomendava que entre “eu” e “você” não existe alternativa, ou seja, nas
situações extremas não é uma questão mais de ter medo, é uma questão de
sobrevivência . Pensava nisto, com a morte de alguns amigos, de um grande
amigo, em particular, o Carlinhos Toledo, com esta epidemia do vírus, do novo
coronavírus. Quando o inimigo é imponderável e nos rouba coisas preciosas, como
compartilhar a convivência, beber e rir juntos, abraçar uma pessoa querida, um
amigo, não se tem também alternativas. Nestes meses de isolamento, com as
restrições que ainda temos, mesmo que relaxadas, tivemos que relaxar o desejo
tão acalentado de retomar a velha forma de vida, que continua a ser apenas um
desejo. Por mais que queiramos, parece improvável que se possa usar o mundo, lá
de fora, como no passado: a magia das saídas noturnas, dos bares, do futebol,
dos jantares, da curtição do espaço público, do ar livre, de passear entre
outras pessoas, por mais tentador que seja, é um risco, um grande risco. E,
olhando para os que se foram, não há como não pensar na nossa vulnerabilidade,
pensar que hoje estamos aqui, mas, tudo é tão rápido, tão fluído, tão frágil que,
amanhã se foi, que nem teremos mais consciência da luz, da cor, da beleza do
calor do qual tanto reclamamos e até da fumaça que nos faz respirar pior. Sei
que já me perdi neste mar de pensamentos bobos- e a bobagem também faz parte da
humanidade. Mas, é que, de qualquer modo, o isolamento me lembrou de uma
verdade óbvia: não preciso nem sair de casa, nem ficar imerso na televisão ou na internet, para
me divertir. Voltei ao velho hábito de ler muito, que, com os whatssaps, os
Facebooks, e-mails e sites tinha negligenciado. Adquiri, novamente, o velho
hábito de beber vinho, duas taças, meia garrafa, no máximo, com sorvete e até
me deixei ficar mais na cama, sem ter o que fazer, só pelo prazer de me
espreguiçar, de curtir o prazer de não fazer nada. Esqueço o micro desligado, o
celular e até as horas. Nada mais de me ligar no noticiário (excessivo nas
notícias ruins), nem no econômico. Até arranjei uns mantras para meditação. E
só busco falar, fazer coisas que me dão prazer, e bem devagar. E escrevo.
Escrevo muito. Escrever, no entanto, é uma forma de prazer. E a vida? A vida
está mais leve. É bom flutuar nela como uma pena ao vento. E lá vamos nós!
Ilustração:
http://faceafaceblog.blogspot.com/.
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