Terça-feira, 26 de outubro de 2010 - 05h08
Silvio Persivo
Esta campanha já possui um grande perdedor e seu nome é transparente: Lula da Silva. Pobre homem. Não tem mais a menor tranqüilidade, vive o maior de todos os medos que é o desprezo e a revanche dos seus próprios companheiros. O pior é que sem saída. Se Dilma ganha, pelo que já sentiu, e para política ainda lhe resta alguma sensibilidade, sabe que terá a avalanche de muita gente do PT que sofreu oito anos sob suas botas e, para piorar, não será a candidata-poste, inventada contra o próprio partido, que o salvará. Esta, como já demonstrou com o despejo de Erenice Guerra, tem o mesmo apego aos amigos que seu futuro ex-chefe, ou seja, nenhum. Se precisar larga qualquer um pelo caminho sem o menor arrependimento e com a postura de quem decora o que lhe ensinam como se de algo soubesse. Há toda uma cambada de gente humilhada e esquecida esperando pelo sangue de Lula depois deste domingo, dia 31 de outubro. É claro que será o dia dele, o dia de finados, mas, ainda não irão enterrá-lo. Ele será um morto-vivo que irá se decompondo até o dia primeiro de janeiro de 2011, mas, para ele, um amante do poder será o máximo do martírio ser, gradativamente, desprestigiado, relegado e, como será natural, terá que enfrentar a zombaria pública e o escárnio particular que muitos hão de lhe jogar no rosto.
Lula se desespera também pelo fato de que não possui nenhuma segurança a respeito da vitória da sua candidata e possui toda a certeza de que ela não lhe dará um pingo de participação no futuro governo. Principalmente, depois que culpou sua criação pelo segundo turno e chamou a todos de incompetentes pela agressão à Serra, embora a leitura de seu marqueteiro, do partido e de Roussef é de que foi ele quem “injetou mais emoção” na campanha. Lula age sempre como se jamais errasse e com a arrogância que Roussef acusa Serra de ter. Para Lula ele está salvando a todos do desastre e considera que ao chamar Serra de “mentiroso”, mesmo sabendo que a mentira é sua, está salvando a candidata do desastre e atraindo os ataques para ele. Na cabeça dele começou a surgir o pensamento, que sempre alimentou, de que está cercado de incompetentes e que, talvez, um governo Serra seja melhor para ele que manteria o “mito” e não poderia ser culpado dos erros que vierem a ser cometidos. E sente que, no próprio círculo íntimo, já se avolumam duras criticas contra ele, justamente, para colocá-lo, de fato, como ex, ou seja, vestir nele o pijama. Não é desarrazoada a hipótese de que a vitória de Serra, de vez que não poderá participar de um governo Roussef, seja melhor para o seu futuro. Por isto, hoje, Lula faz um esforço imenso para provar que se esforça, mas, não irá chorar uma lágrima que seja pela derrota de Dilma. É possível que até comemore muito na medida em que, na sua cabeça, ao ver que a candidata é imperturbável na mentira e na determinação, pode ser um empecilho muito maior do que qualquer tucano para sua volta triunfal. O fato, porém, é que o homem está definitivamente passando por um período muito amargo. Deixar o poder jamais lhe passou pela cabeça depois de experimentar seus prazeres e, com certeza, sente uma inveja irreprimível de Hugo Chávez.
Fonte: Sílvio Persivo - silvio.persivo@gmail.com
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