Terça-feira, 12 de março de 2024 - 10h55

Quando
conheci Antônio Ribeiro da Conceição, o grande mestre baiano Bule-Bule, ainda
estávamos no século passado e ele fazia dupla com um outro nome, também famoso,
Antônio Queiroz, que fizeram em conjunto o disco “A Fome e a Vontade de Comer”.
Em Rondônia, fiz contato com eles em Porto Velho, trazidos por Luiz Malheiros
Tourinho. E tive o prazer de vê-los cantando juntos, fazendo repentes e até
compuseram uma música sobre o candiru, este peixinho capaz das maiores proezas
em busca de um buraco. Este ano, depois de longo tempo, graças a existência do
celular, Bule-Bule me liga e renovamos a saudade dos tempos em que, a meu
pedido, cantou uma de suas mais românticas canções. Se reatar a amizade com
esta lenda baiana já foi uma benção de Deus, então para melhorar muito mais o
ano, ele me enviou suas produções. A maior parte delas são literatura de
cordel, caminho pelo qual enveredou- e como tudo que faz-com enorme sucesso.
Seus livros “Um Punhado de Cultura Popular”, “Rodolfo Coelho Cavalcante, Castro
Alves e Outros Temas” são bons exemplos de sua lavra. Porém, sua produção é
vasta e compreende muitos temas como “O violento Combate de Samuel Badulaque e
José Cafussu contra o Tirano Memeu de Cazu” ou “A bem-Aventurada Santa Dulce
dos Pobres: Irmã Dulce da Bahia” ou “Quatro Almas e Um Destino”. Não há como citar todas, mas por aí se tem
uma ideia de sua obra. O grande presente que me foi ofertado, entre outros, é a
obra “Orixás em Cordel-Edição Ampliada”, uma edição primorosa da Tupynanquim
Editora, com gravuras de Klévisson Viana. Trata-se, como afirma Marco Haurélio,
um professor poeta pesquisador de cordel, da “mitologia dos orixás vertida em
uma grande e coesa antologia para o cordel”. A literatura de cordel é uma arte
muito popular no Nordeste e, sem dúvida, ainda há de ser muito mais valorizada
do que é, porém o grande mérito do filho do sambador “Manoel Jararaca” é unir
as lendas e os mitos, com muita graça e talento, em poemas de cordel que
resgatam as raízes da vida dos terreiros. Um exemplo são os versos:
“Primeiro
nasceu Xangô,
Oiá,
Ogum, Ossaim,
Obaluaê
depois,
Os Ibejis
pra dar fim
À solidão
de Iemanjá
Olodumaré
quis assim.”
Ou neste
outro:
“Mas, com
a benção de Oxalá,
Exu teve
amparo e fama,
Fortuna,
prestígio e glória,
Bom
projeto, ótimo programa,
É
comandante de estrada,
Manda na
encruzilhada
E um
grande público o ama”.
Sem
dúvida também um grande público deve amar as obras de Bule-Bule. Ler sua obra
sobre os orixás me levou a recordar de Baden Powell com seus afro-sambas. A
correlação tem sentido: para a literatura de cordel este livro sobre os orixás
cria, como os afrosambas, uma vertente especial. Ave! Bule-Bule! Que os orixás
te deem mais ainda inspiração para novos voos tão belos!
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