Quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015 - 05h17
Silvio Persivo
O PT ao completar 35 anos de história conseguiu um feito inédito, nas palavras de seu guia, como “nunca antes neste país”, partido algum teve. A associação imediata que se faz com o nome do partido: corrupção. A grande contradição é a de que foi um partido que construiu sua reputação brandindo a bandeira da ética, com ferozes ataques aos adversários contra a corrupção! O Lula e seu partido que, agora, são acusados de patrocinar os dois maiores escândalos que o país já assistiu- o “Mensalão” e o “Petrolão” não podia ver, antes, qualquer sinal, de qualquer vírgula errada, sem apontar o dedo, e indignado, gritar contra o assalto aos cofres públicos. No entanto, hoje, diante dos esquemas muito maiores de corrupção fecha os olhos e até indulta e bate palmas para os acusados.
Longe estão os tempos onde Lula acusava Collor, Sarney, Maluf e Quércia de ladrões e o Congresso de ter “300 picaretas”. Hoje, abraça a todos desde que façam o que lhes pede, e o próprio Maluf, numa sincera “mea culpa”, disse que o PT entende muito mais da área do que ele e, perto do que o partido faz, disse se considerar um “trombadinha”. E o partido não vê nada demais no assalto organizado da Petrobras quando, em cima de um simples Fiat Elba, demonizou Collor e o arrastou ladeira abaixo do Planalto. Depois iria tentar o mesmo contra FHC sem sucesso. Infelizmente, a grande realidade atual é que pensar em PT é pensar em corrupção, seja isto uma realidade do partido ou não. Não há como fugir de que a corrupção sob as asas do governo petista assusta pela quantidade e qualidade. E, se antes, ainda podia se alegar que “tirou 30 milhões da pobreza”, hoje, se desconfia, de que seus militantes é que saíram da pobreza e os índices foram apenas manipulados para vender a propaganda eleitoral. Os pobres continuam aí e, pasmem, de um forma crescente vivendo nas ruas, pedindo esmolas e, o que é pior, principalmente os jovens, sem bons empregos, sem perspectivas, assaltando e matando.
Claro que a corrupção não é monopólio do PT. Mas, o agravante é que a corrupção petista assusta também porque nenhum escândalo atingiu figuras tão próximas dos mandantes, nem envolveu figuras tão relevantes de qualquer partido, como são, por exemplo, Dirceu, Palocci e outros tantos do núcleo de poder. Sem contar os “malfeitos” que permanecem sem apuração ou foram jogados para debaixo do tapete. E o agravante maior é o de que, em grande parte, a corrupção petista não foi feita para enriquecer os bolsos dos políticos nem dos empresários. Não. Foi feita por meio de um plano para se comprar o Legislativo, manietar o Judiciário e ter decisões partindo do Executivo que favoreciam a manutenção do poder. Assim, não há como Dilma, por exemplo, não responder pelo que foi feito, de vez que era beneficiária dos recursos usados para se impor aos outros poderes e impor uma pauta política. Fizeram assim da oposição meros fantoches, centralizando o poder e impondo o que desejavam enquanto gastavam milhões fazendo publicidade positiva de um governo que não avançava em nada. O Brasil se tornou um país pouco competitivo e voltou a ser agrário-exportador. Não adianta, hoje, quando colhe os frutos de seus erros, apelar para o “todo mundo faz isto” ou culpar o mensageiro (a “mídia”, sempre acusada de ser a verdadeira oposição) ou vender a versão fantasiosa de que estão querendo criminalizar o PT ou ganhar no “terceiro turno”. É só olhar o que Dilma dizia na campanha eleitoral e comparar com o que faz depois de eleita. É a tempestade que carrega quem semeou os ventos. Nada mais impactante para refletir a decadência e a imagem do partido de que a “piada” que circulou amplamente na internet e fora dela que não houve festa do aniversário do partido porque roubaram o bolo.
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