Sábado, 19 de outubro de 2013 - 11h22
No final de uma aula, cheguei ou chegamos, em sala, a uma conclusão meio inusitada, ou seja, a de que o direito não é uma regra simples ou uma simples relação entre indivíduos e regras jurídicas. De certo modo, mais do que uma afirmação de direitos, hoje em dia, o direito é o poder, a capacidade, a dignidade de se negar a obedecer a todas as formas de negação do que seja correto, reto. Muito mais do que dizer sim às regras, o direito é a afirmação de todas as formas de luta justas e legítimas. De modo bem simples:
O direito é a capacidade de dizer não!
Dizer não à vilania, à corrupção e ao que corrompe o próprio direito.
Diz-se que o direito é insistência em negar a negação dos direitos básicos do povo.
É ter condição de impor-se contra as normas ou ordens ilegais, imorais.
O direito é a força social capaz de dizer não ao autoritarismo de Estado e que se traveste de norma jurídica.
É a força moral necessária para impedir que as regras sociais sejam utilizadas, transformadas, injustamente, em normas jurídicas autocráticas.
É a capacidade de dizer não a tudo o que nega a mínima noção do que é certo, do que deve ser feito.
Mesmo sob o risco da tautologia: direito é o poder de dizer não ao que não é direito.
Direito é dizer não ao antidireito.
É poder ou se atrever a dizer não às ideologias neofascistas, à acomodação com as migalhas do poder.
É poder dizer sim ao direito e não à simples imposição do dever de obediência.
Direito é a manifestação coletiva dizendo não à tirania.
É dizer não ao servilismo, à troca de favores em que os privilégios, as leis privadas, substituem o direito reto, comum, justo.
Direito é a capacidade de indignação contra a negação da Justiça e diante da prática da injustiça.
Também é a revelação de que o individualismo é um tipo de antidireito, porque não há direito que não relacione; então, é óbvio, para que haja relação de direito é preciso mais agentes, atores e sujeitos.
Portanto, direito é dizer não à afirmação de que as soluções rápidas, práticas, pragmáticas são as mais celebradas.
Direito é a possibilidade de dizer não às mentiras mais comuns contadas em nome, exatamente, do direito: de que o direito é neutro, isento, correto por natureza.
É a convicção de que o direito nasce da conquista, da luta e não da outorga.
O direito não é um presente, não cai do céu, não vem no Natal com Papai Noel.
Enfim, ainda que seja uma ficção, como uma construção artificial da cultura, é preciso dizer não às fantasias e/ou ideologias que servem à dominação injusta, à opressão.
Direito é dizer sim à consciência do que deve ser feito em benefício da justiça comum.
Vinício Carrilho Martinez
Professor Adjunto III da Universidade Federal de Rondônia - UFRO
Departamento de Ciências Jurídicas/DCJ
Pós-Doutor em Educação e em Ciências Sociais
Doutor pela Universidade de São Paulo
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