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Baixo Madeira: Mais de quinhentas pessoas participaram do Festival Cultural de Nazaré


O distrito recebe turistas de várias nacionalidades para prestigiar a festa - Gente de Opinião
O distrito recebe turistas de várias nacionalidades para prestigiar a festa

“Resiliência, é a palavra certa que defini os moradores de Nazaré, depois de tudo que passaram. Eles se reinventaram e deram a volta por cima”, disse a fotógrafa Marcela Bonfim, ao acompanhar o trabalho de organização, construção e ornamentação da vila e da arena, para receber os visitantes no 53º Festival Cultural de Nazaré. Distrito ribeirinho que fica cerca de 8 horas de barco de Porto Velho.

A comunidade fez um mutirão de limpeza e arrumação, principalmente nos acessos à arena, começando pelas escadarias na beira do Rio. A passarela de madeira foi elevada e revitalizada, o que deixou a pacata vila de Nazaré ainda mais convidativa.

Não é para menos, nesta época do ano, o distrito recebe turistas de várias nacionalidades, como estadunidenses, noruegueses, sem mencionar os visitantes da capital e do Amazonas, que são atraídos pela cultura local.

Como as pousadas são poucas, as reservas são feitas dois meses antes do festival, mas local para dormir não é problema, que pode ser no barco ou em qualquer cantinho onde a barraca possa ser montada. Há os que preferem armar a rede embaixo das árvores e tirar aquela soneca. “Desde 2016 não perco um ano do festival da cultura. Dormir em barracas é lazer para mim e minhas colegas”, disse a estudante Raíssa Moraes.

CORAÇÃO DA CULTURA

A raíz cultural e familiar é o que mantém as tradições de Nazaré. Considerado o coração da cultura, o Festival Cultural de Nazaré subsiste pelo esforço dos descendentes do senhor Manoel Maciel Nunes, precursor da festa. ”Fazer todo ano esse evento é muito emocionante. Quem participa já faz parte da família. O povo de Nazaré se sente honrado com a presença de todos, onde podem sentir a energia do carimbó, do Boi Bumbá Mirim, do Serigandô, que fazem parte da tradição da Amazônia”, falou emocionado Timaia Nunes, filho de seu Manoel Maciel, e um dos coordenadores do evento.

Uma chuva de fogos marcou o início do festival cultural. Abrindo as apresentações, o grupo da Velha Guarda de Nazaré. Teve ainda as apresentações da Marujada, das quadrilhas de Humaitá e Fogo de Palha, e o tradicional Carimbó de Nazaré. Encerrando a primeira noite cultural, o grupo Minhas Raízes, com seus instrumentos musicais criados por matéria-prima da floresta e suas músicas com influência indígena e andina, com mensagens que promovem a riqueza cultural da região ribeirinha.

A maioria dos integrantes do grupo Minhas Raízes são filhos e netos do seu Manoel Maciel Nunes.

Na segunda noite, o Boi Bumbá Curumim entrou na arena. Todo o ritual foi embalado ao som grupo Marujada. O momento mais esperado foi a apresentação do Serigandô. Dança indígena, que conta uma história de amor entre um vaqueiro e uma índia.

O superintendente da Juventude, Cultura e Lazer (Sejucel), Jobson dos Santos, além de contribuir para a realização do festival prestigiou o evento. “Subi o barranco de Nazaré é senti a mais pura intervenção cultural do povo amazonense. Tenho orgulho de ter nascido em uma cidade tão rica em cultura. O governo de Rondônia vem atuando nessas intervenções para que seja fortalecida a nossa regionalização. Nossa cultura deve ser expandida, nosso povo é um povo rico”.

OUTROS EVENTOS

De julho a outubro, o distrito de Nazaré terá atividades que valem a pena participar. Em agosto acontece a tradicional Festa da Melancia, em setembro são os festejos da Santa Padroeira Senhora de Nazaré. A comunidade de Boa Vitória, que faz parte do distrito, comemora em outubro o dia de São Francisco. “Nazaré tem cerca de nove comunidades. Faz parte da tradição as famílias se reunirem nas localidades onde ocorrem os festejos”, destacou Venerana Almeida, moradora de Nazaré.

Grupo Minhas Raízes com músicas com influência indígena e andina - Gente de Opinião
Grupo Minhas Raízes com músicas com influência indígena e andina

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