Porto Velho (RO) sexta-feira, 13 de março de 2026
opsfasdfas
×
Gente de Opinião

Cultura

Flor do Campo sem quadra para ensaios


 Flor do Campo sem quadra para ensaios - Gente de Opinião

O ano de 2013 parece mesmo ser um daqueles anos que temos que esquecer, pelo menos no que se refere à ausência das instituições públicas responsáveis pela condução da política cultural, seguidamente negligente para com a cultura popular.

Não é de hoje que a mídia estadual estampa, em letras garrafais, a relutância do poder público em apoiar, ou criando todo tipo de dificuldades para diminuir – ou mesmo eximir por total - a participação do ente público nos grandes eventos tradicionais da cultura popular.

Vejamos o exemplo do Arraial Flor do Maracujá, em Porto Velho, colossal certamente criado pelo próprio Governo do Estado de Rondônia, que expõe a genialidade criadora de caboclos e beradeiros das terras e barrancas do Rio Madeira, há mais de três décadas, na iminência de não acontecer pela exata vontade da autoridade pública.

O mesmo fenômeno, de atitude contrária ao patrimônio cultural popular, também se registra em terras do Mamoré. O Governo de Rondônia, de maneira insensível e com total descomprometimento, na maior cara de pau, tacitamente ensaia sair de cena do Bumbódromo da Pérola do Mamoré, desaparecendo pela tangente, sem assumir suas necessárias e imprescindíveis responsabilidades para realização do 19º Festival Folclórico de Guajará-Mirim.

E quando os brincantes, os produtores culturais e amantes da cultura popular pensam não ser possível piorar, mais ainda, a atual situação de incertezas do Festival Folclórico de Guajará, se surpreendem com o que está acontecendo com o Boi-Bumbá Flor do Campo. 

A história de criação do Boi-Bumbá Flor do Campo é sempre contada de forma romântica e apaixonante, como sendo a vontade abnegada de uma professora exemplar e comprometida com a cultura popular, Georgina Ramos da Costa, que no ano de 1981, em uma das salas da Escola Estadual Almirante Tamandaré, se utilizando de sucatas, cipós, pontas e sobras de tecidos, cola, papelão, jornal, cordão, buchas de cordas, agulhas e linhas, confeccionou um boi de pano, nas cores branca e preta, dando-lhe o nome de Famosinho que, posteriormente passou a ser denominado e conhecido por Boi-Bumbá Flor do Campo, defensor das cores vermelha e branca.

Como vemos, não é possível falar das origens do Boi-Bumbá Flor do Campo, ou até mesmo discorrer sobre o que deu início ao famoso Duelo da Fronteira, sem passar pelas salas de aulas da Escola Estadual Almirante Tamandaré.

Pergunto-me: qual a unidade escolar deste município, ou mesmo deste Estado, que não gostaria de entrar na história da cultura popular do Estado de Rondônia, como sendo a escola-manjedoura do ilustre, colossal e grandioso Boi-Bumbá Flor do Campo? Respondo: a Escola Estadual de Ensino Fundamental Almirante Tamandaré, pasmem todos!

Há alguns anos a escola vem dificultando a entrada dos brincantes da Nação Vermelha e Branca na quadra da escola, onde costumeiramente, ao longo dos anos, o Boi do Bairro Tamandaré realiza seus ensaios. A atual Diretora da Escola, Professora Rosane Couteiro Lemos, reluta e nega, intransigentemente, um espaço que não é seu, mas sim público, de uso comum de todos.

A atitude da Professora Rosane Couteiro Lemos contraria uma das diretrizes do próprio Ministério da Educação, que preconiza trazer para os limites internos da escola, todos os cidadãos e cidadãs da comunidade moradora nos arredores da escola.

A Professora Rosane Couteiro Lemos passa longe – muito longe mesmo - dos modernos princípios que entendem que a educação não pode mais ficar limitada aos muros escolares. A construção de uma nova escola, com ambiente ético solidário, transformador e includente, que ultrapasse o anacronismo do velho jeito de ensinar, requer uma atitude pedagógica ousada, ressignificada e necessariamente contemporânea, indo além do preconceito sociocultural e do comodismo, ultrapassando inclusive os ‘muros’ escolares, estendendo a ação pedagógica a toda comunidade onde a unidade escolar está inserida, incluindo também, no processo da educação, as relações com as famílias dos estudantes, as demais pessoas e organizações e movimentos socioculturais que convivem em seu entorno.

E assim caminha a cultura popular em Guajará-Mirim e em Rondônia: enfrentando analfabetos estéticos; lutando contra gestores escolares preconceituosos, acomodados, conformados e defensores de uma escola alienadora e excludente; mendigando o apoio das instituições públicas culturais e de seus respectivos gestores, comprometidos apenas com o projeto econômico de grandes empresários da indústria da cultura de massa; ouvindo não do Excelentíssimo Senhor Governador Confúcio Moura, um vaidoso blogueiro que pensa que a cultura popular - marcadamente perpetuadora da identidade cultural do povo de Rondônia e do Brasil – aquela praticada pelo povo humilde, realizada pelo artista simples e admirada por gente moradora das comunidades carentes, pelo turista e pelo mundo inteiro, não precisa do apoio de seu governo pífio.

Fonte: Ariel Argobe

 

Gente de OpiniãoSexta-feira, 13 de março de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Rondônia participa de debate nacional sobre fortalecimento das políticas culturais no Brasil

Rondônia participa de debate nacional sobre fortalecimento das políticas culturais no Brasil

O governo de Rondônia por meio da Secretaria da Juventude, Cultura, Esporte e Lazer de Rondônia (Sejucel) participa da 1ª Reunião Ordinária Anual do

Apresentação de “e daí?” de Viriato Moura no buraco do candiru

Apresentação de “e daí?” de Viriato Moura no buraco do candiru

O cenário artístico de Rondônia sempre teve em Viriato Moura uma de suas figuras mais multifacetadas. Médico por profissão e artista por vocação, su

II Mostra de Cinema dos Invisíveis circula com exibição de filmes gratuitos em bairros da capital e comunidades ribeirinhas

II Mostra de Cinema dos Invisíveis circula com exibição de filmes gratuitos em bairros da capital e comunidades ribeirinhas

Filmes produzidos na Amazônia serão destaque da Mostra de Cinema dos Invisíveis, que será realizada no período de 12 a 20 de março em Porto Velho e

Destino da Pele e Beira: exibição de curtas propõe reflexão sobre racismo, espiritualidade e diversidade

Destino da Pele e Beira: exibição de curtas propõe reflexão sobre racismo, espiritualidade e diversidade

O primeiro cenário é a cidade fronteiriça de Guajará-Mirim, território marcado pelo encontro de culturas, pela força da fé e por histórias que atrav

Gente de Opinião Sexta-feira, 13 de março de 2026 | Porto Velho (RO)