Quinta-feira, 22 de janeiro de 2026 - 10h45

Um olhar atento para
o Rio Madeira revela mais do que um dos principais rios da Amazônia. Revela
histórias, mitos, conflitos e formas de vida que ajudam a compreender a relação
entre o ser humano e a natureza. Essa é a proposta do psicólogo e analista
junguiano Paulo Alberto Ferreira Neto no livro O Rio Madeira: Alma que Corre
dos Andes ao Amazonas – Explorando a Conexão Profunda entre Natureza e Psique.
Inspirado na
Psicologia Analítica de Carl Jung, o autor convida o leitor a perceber a
natureza como uma entidade viva, portadora de alma, memória e significado. Ao
percorrer simbolicamente o curso do Rio Madeira, a obra apresenta o rio como um
espelho da própria Amazônia, marcada por resistências, transformações, encantos
e feridas que também atravessam a experiência humana.
Com uma escrita que
articula vivência pessoal, pesquisa histórica e reflexão teórica, o livro
propõe compreender o Rio Madeira como expressão da anima mundi, a “alma
do mundo”. A partir dessa perspectiva, Paulo Alberto sugere uma escuta mais
sensível da natureza, destacando que o sofrimento humano não está separado das
marcas deixadas na natureza.
Ao longo da obra, o
autor também dialoga com temas atuais, como a crise climática, o avanço de
grandes empreendimentos sobre os rios amazônicos e os impactos dessas ações
sobre os modos de vida locais. O Rio Madeira surge, assim, como símbolo das
tensões entre desenvolvimento, exploração e cuidado com a vida.
“O livro apresenta
uma visão sensível sobre a relação entre o ser humano e o meio ambiente,
propondo uma escuta da natureza como caminho de cura e reconexão. A sabedoria
dos rios e da floresta ensina sobre equilíbrio, respeito e pertencimento”,
afirma o autor.
A obra valoriza ainda
os saberes dos povos indígenas, ribeirinhos e comunidades tradicionais que
vivem às margens do Rio Madeira e mantêm viva a memória simbólica do rio. Esses
povos aparecem no livro como guardiões de conhecimentos ancestrais, capazes de ensinar
formas mais equilibradas de convivência com a natureza.
Além de uma reflexão
simbólica, o livro também se apresenta como um convite ético e coletivo à
responsabilidade. Ao reconhecer o rio como um ser vivo, o leitor é chamado a
repensar suas escolhas e a forma como se relaciona com a Amazônia e com o
planeta.
Sobre o autor

Paulo Alberto Ferreira Neto é doutorando no Programa de Psicossociologia e Ecologia Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e mestre em Psicologia pela Universidade Federal de Rondônia (Unir), além de membro da Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica (SBPA-RJ), filiada à International Association for Analytical Psychology (IAAP), Paulo Alberto Ferreira Neto atua como psicólogo clínico e servidor público do Estado de Rondônia. Com linguagem poética e rigor conceitual, ele propõe uma reflexão contemporânea e urgente sobre a alma da Amazônia — e sobre a necessidade de reconectar o ser humano à vida que pulsa nas águas, nas florestas e em si mesmo.
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