Domingo, 16 de julho de 2017 - 19h27
Alunos da escola nº 1 de Sanlitun em Pequim treinam futebol. Atualmente,
esporte é praticado em 20 mil colégios no país
Na escola pública nº 1 de Sanlitun, na região central de Pequim, alunos do ensino fundamental e médio treinam semanalmente dribles, embaixadinhas e outros passes de futebol, esporte ainda pouco praticado na China. Pioneiro no país a adotar essa modalidade esportiva no currículo escolar, o colégio tem investido na descoberta de jovens talentos para as ligas profissionais.
A escola é uma das 20 mil no país alinhadas com o propósito de popularização da cultura futebolística estabelecido pelo Plano de Desenvolvimento do Futebol Chinês 2016–2050. Publicado no ano passado pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, o plano tem como umas das metas tornar a China uma superpotência no esporte até 2050.
Em março, a Associação Chinesa de Futebol divulgou objetivos de curto prazo, como a melhora da seleção nacional no ranking mundial passando do 82º lugar para o 70º, a formação de um milhão de jovens jogadores e a construção de 60 mil campos de futebol até 2020.
O diretor do Comitê de Especialistas para a Promoção do Futebol de Campo do Ministério da Educação chinês, Jin Zhiyang, disse que o objetivo do governo é chegar a 50 mil colégios no país com treinamento de futebol até 2025.
Segundo ele, a política de promoção do futebol nas escolas visa ao desenvolvimento sustentado do esporte no país, conhecido pela excelência em modalidades como tênis de mesa, natação e ginástica olímpica. “Queremos melhorar a saúde dos alunos e fundar uma base sólida para o desenvolvimento do futebol na China”, disse. “Não há pressa. É um projeto de longo prazo.”
A diretora da escola de Sanlitun, Wang Liru, conta que a equipe de futebol do colégio alcança os primeiros lugares nos pódios dos campeonatos escolares regionais por causa do treinamento intenso, do investimento na capacitação dos professores de educação física e em bons equipamentos esportivos, como campo e iluminação de quadra. A escola, que começou as aulas de futebol há dez anos, recebe uma verba anual de 500 mil iuanes (aproximadamente R$ 250 mil) do governo para ser investida no esporte.
A ideia, segundo a diretora, é descobrir talentos para o futebol desde o ensino fundamental e apoiá-los para que se profissionalizem na carreira. Entre os planos da escola para a promoção do esporte, figuram a contratação de treinadores estrangeiros, a intensificação do intercâmbio com os clubes profissionais do país e a montagem de uma equipe de futebol feminino.
Governo chinês pretende chegar a 50 mil colégios no país
com treinamento de futebol até 2025
Investimento milionário
Fã do esporte, o presidente chinês Xi Jinping tem promovido intensamente o apoio à modalidade. Ele diz esperar que a seleção nacional ganhe uma Copa do Mundo. Após encontro com o presidente da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Gianni Infantino, em Pequim, em 14 de junho, o presidente chinês declarou que tornar a China uma potência desportiva é um dos objetivos para o desenvolvimento do país. “O governo chinês atribui grande importância ao desenvolvimento do futebol e tem providenciado um apoio sólido e sustentado”, afirmou na ocasião.
Xi Jinping reconheceu que a popularidade e o nível de competitividade do futebol chinês estão aquém dos países onde o esporte está consolidado, mas que os esforços para mudar essa realidade incluem a promoção da cultura do futebol na sociedade, a profissionalização do sistema de gestão desportiva, a aposta na formação de futuros talentos, a melhora da infraestrutura esportiva e o incremento do intercâmbio com jogadores e treinadores estrangeiros.
Nesse sentido, a China vem investindo fortemente na contratação milionária de profissionais estrangeiros: o técnico Luiz Felipe Scolari e os jogadores Alexandre Pato e Hulk são alguns dos brasileiros que atuam em times chineses. Segundo o jornal oficial Diário do Povo, 16 clubes chineses pagaram cerca de US$ 410 milhões na contratação de estrangeiros durante a temporada de inverno 2016-2017.
*A repórter viajou a convite do Centro de Imprensa China–América Latina e Caribe
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