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Luka Ribeiro

O Camarote das Estrelas. Legado deixado por Manelão e Silvio Santos.


O Camarote das Estrelas. Legado deixado por Manelão e Silvio Santos. - Gente de Opinião

Lá no alto, onde o céu de Porto Velho ganha um azul que nenhum filtro de celular consegue copiar, dois amigos se ajeitam em um camarote privilegiado. Não há cordas, não há abadás vips, apenas uma nuvem macia e a vista panorâmica da Avenida Carlos Gomes e da Sete de Setembro.

Manelão ajusta o quepe, aquele que parece ter vida própria, e limpa o suor da testa com o lenço de sempre. Ele olha para baixo e solta aquela risada que ecoava pelas calçadas da Carlos Gomes. Ao seu lado, Silvio Santos, com o olhar atento de quem não perde um detalhe para a próxima crônica, sorri de canto.

— "Olha lá, Silvio! Vê se não é a coisa mais bonita desse mundo?", exclama o General, apontando para o estandarte que começa a balançar lá embaixo.

Silvio tira os óculos, limpa as lentes e observa o mar de gente. O som da bateria sobe, atravessando as camadas de ar, chegando aos ouvidos deles como um hino sagrado.

— "É, Manelão... O povo não esqueceu o caminho de casa", responde o jornalista, com aquela voz pausada e certeira. "Eles acham que a gente fundou um bloco, mas o que a gente fundou foi um estado de espírito."

Manelão dá um tapinha no ombro do parceiro. "Eles estão brincando com cuidado, Silvio. Veja só, as famílias, os amigos, a moçada nova que nem era nascida quando a gente começou aquela 'confusão' boa em 1980. O legado tá vivo, rapaz!"

O General, impaciente como sempre quando o assunto era folia, começa a ensaiar um passo de marcha. Ele sente o bumbo vibrar no peito, mesmo ali, no infinito.

— "Sabe o que eu sinto, Silvio? Que enquanto houver uma pessoa sorrindo atrás daquela banda, a gente nunca vai sair da avenida."

Silvio Santos concorda com a cabeça, pega sua caderneta celestial e anota uma última frase, antes de se perderem os dois na imensidão da alegria que subia da terra:

"A Banda não passou, Manelão. A Banda ficou para sempre."

Lá embaixo, o folião olha para o céu por um segundo, sente um vento fresco no rosto e sorri sem saber por quê. É o sinal. O desfile continua.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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