Quinta-feira, 13 de março de 2014 - 18h20
A cheia registrada no Rio Madeira preocupa também por conta do ataque de animais peçonhentos, que são todos aqueles que possuem peçonha e um aparelho para inocular este “veneno” em suas presas (alimento). Segundo o biólogo Flávio Terassini, docente do curso de Ciências Biológicas da Faculdade São Lucas e especialista em animais peçonhentos, dependendo do animal, se a pessoa atacada não buscar atendimento em um hospital o mais breve possível o óbito pode ocorrer. Além das serpentes, principalmente jararacas, aranhas, escorpiões, Terassini diz que a preocupação também está concentrada nas lacraias, arraias, formigas, abelhas e vespas, dentre outros. “Estes animais somente atacarão se forem molestados, porque utilizam sua peçonha para se alimentar e se defender”, alerta o biólogo.
Em Rondônia, anualmente são registrados em torno de 700 acidentes por animais peçonhentos, segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde, e Porto Velho é o município que concentra o maior número de acidentes. “Como esta região está sofrendo com as cheias, existe um aumento significativo no número de casos de acidentes por estes animais, tendo em vista que com a cheia do Rio Madeira muitos destes animais acabam migrando e se locomovendo para perto de residências, o que propicia um contato maior com os humanos”, destaca Flávio Terassini.
O biólogo orienta que não se deve manipular os animais peçonhentos com as mãos, porque eles irão picar ou morder para se defender, e se tiver veneno podem levar a óbito. “Se ocorrer um acidente, fique calmo, lave o local com água e sabão e siga o mais rápido possível para o hospital, pois o tempo é fundamentar para evitar o agravamento do acidente. Quanto mais rápido procurar atendimento, melhor. O que não se deve fazer é amarrar o local, fazendo o conhecido ‘garrote’ porque isso só irá piorar ou agravar o acidente. Somente o soro que deve ser administrado por uma equipe médica no hospital irá salvar a vida do acidentado”, recomenda.
Terassini alerta também que outros animais que não são peçonhentos, mas podem picar e ocasionar sérios problemas, como cobras sucuri ou jibóia, que não possuem veneno, porém, em sua saliva estão concentradas muitas bactérias, e ao se alimentarem de roedores, muitas destas bactérias ficam em sua boca. “Portanto, não tente manusear com as mãos estes animais, mesmo sabendo que não possuem veneno. Se ligar para os bombeiros (193) eles podem não atender aos chamados devido ao grande número de chamados que estão recebendo devido às cheias. O ideal é chamar o Ibama, mas existem outras opções, como o núcleo de Fauna da Sedam, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Sema) ou até mesmo a Polícia Ambiental (190)”, informa. “Não matem estes animais, porque, por mais estranhas ou perigosas que sejam, são de suma importância para o meio ambiente. E se você não molestá-los eles irão embora e não causarão acidentes”, completa o biólogo.
Fonte: Chagas Pereira
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