Sexta-feira, 23 de março de 2012 - 05h45
Daniel Mello
Agência Brasil
São Paulo – A falta de opções de moradia é, além de um problema social, uma ameaça aos mananciais que abastecem a cidade de São Paulo, avaliou a professora da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), Helena Ribeiro. “Aquela população sem infraestrutura vai poluir, vai impermeabilizar o solo, vai jogar os dejetos na represa, ocupar os vales dos rios, vai desmatar. O efeito disso é muito danoso”, disse sobre o processo que ocorre nas represas Billings e Guarapiranga, usadas no abastecimento da metrópole paulistana.
O problema é somado, segundo a professora, aos efeitos da ilha de calor da cidade. A impermeabilização do solo, entre outros fatores, faz com que a metrópole acumule mais calor do que o entorno. “Com isso, você tem tempestades mais fortes, que levam os resíduos para os corpos d'água. Depois você tem períodos com maior seca, em que você tem déficit de água para o abastecimento. Falta de água nas represas. Tudo isso é um fenômeno que já está ocorrendo em São Paulo”, destacou Helena Ribeiro. Segundo ela, esses efeitos se somam aos produzidos pelas mudanças climáticas.
Apesar dos problemas com o manejo dos mananciais, a professora ressaltou que a água distribuída na capital paulista tem qualidade “regular” - “dá para a população beber”. Para ela, é preciso evitar o consumo de água engarrafada, que causa grandes impactos ambientais para sua produção. “São empresas privadas que compram nascentes, engarrafam a água e transportam por caminhão. Então você tem a produção do plástico, que é muito poluente, tem o uso de combustível e os despejos que isso causa também”, disse após participar do seminário Água e Saúde na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O evento marcou o Dia Mundial da Água, comemorado ontem (22).
Como opção para a preservação dos mananciais paulistanos, Helena Ribeiro apontou o aproveitamento do centro da cidade para proporcionar moradia às famílias pobres. “ A proposta toda é fazer um centro mais compacto, atrair a população de baixa renda para o centro”, disse ao lembrar que a prefeitura já tem projetos com esse objetivo.
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