Quarta-feira, 30 de janeiro de 2008 - 07h22
VANNILDO MENDES E TÂNIA MONTEIRO - Agencia Estado
BRASÍLIA - O desmatamento na Amazônia brasileira virou caso de polícia. Enquanto avalia os números sobre as áreas de floresta derrubada e formula políticas de médio e longo prazo, o governo prioriza a operação de vigilância armada sobre a Amazônia, a ser desencadeada dentro de uma semana. A PF mobiliza-se para um "arrastão policial", como disse hoje o diretor-geral da corporação, Luiz Fernando Corrêa.
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, acompanhada do ministro interino da Defesa, o comandante do Exército, general Enzo Peri, faz amanhã um sobrevôo no noroeste do Mato Grosso, na fronteira com Amazonas e Rondônia, onde os índices de desmatamento são alarmantes. A polícia começou a mandar para locais estratégicos da Amazônia centenas de policiais. Vão juntar-se a integrantes da Força Nacional de Segurança Pública e da Polícia Rodoviária Federal (PRF), num total de 780 homens, que reforçarão a maior mobilização realizada pela atual gestão para conter o avanço do desflorestamento na região. Marina e Peri, juntos com o secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Silas Brasileiro, do ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, desembarcam na amanhã de manhã na Base do Cachimbo e sobrevoam Mato Grosso de helicóptero. Por volta das 13 horas, aterrissam em Sinop e fazem uma reunião especial de avaliação.
O contingente de segurança armada enviado à Amazônia é o terceiro maior mobilizado pela administração federal nos últimos 20 anos, ficando atrás apenas dos 2.200 policiais usados nos Jogos Pan-Americanos, em 2007, e dos mais de 2 mil acionados na desocupação do garimpo de Serra Pelada (PA), na década de 80. A mobilização do Pan durou seis meses e a de Serra Pelada, cerca de dois anos.
Pela experiência acumulada na Amazônia, a PF coordenará as ações, que serão realizadas na segunda quinzena de fevereiro. Serão reprimidos todos os tipos de crimes ambientais. Os policiais devassarão madeireiras, abordarão suspeitos com motosserra sem licença, combaterão garimpos ilegais, apreenderão carregamentos de madeira e prenderão grileiros e pistoleiros profissionais que atuam na região a serviço. "Temos larga experiência acumulada nesses anos de combate à corrupção e ao crime organizado. Agora, vamos colocar a gestão ambiental no nosso sangue", disse Corrêa.
Ações
O ponto alto da operação programada pelo Poder Executivo para conter a devastação ambiental na região será no dia 21. Nessa data, deverá estar em curso o conjunto de ações policiais, que devem se estender por tempo ainda a ser definido, mas não inferior a seis meses. A PF instalará 11 bases operacionais e ampliará em 25% o efetivo na região.
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