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Meio Ambiente

Lenda e ciência tentam explicar a pororoca



O município de São Domingos do Capim, distante 136 quilômetros de Belém, passou a ser conhecido no mundo inteiro com a criação do Surfe na Pororoca. Emissoras de comunicação da Alemanha, Espanha e de outros países já estiveram registrando o fenômeno da pororoca no rio Capim. O Brasil inteiro também buscou imagens das ondas e das histórias sobre o fato e sua tradição em lenda.

O funcionário público aposentado, Pedro Sodré, 78 anos, pesquisa todos os textos e temas envolvendo a pororoca. Ele confirma os fatos, mas faz questão de dizer que o povo do lugar sempre apreciou a pororoca. Segundo ele, por diversas vezes, os governadores paraenses estiveram na cidade para acompanhar os banzeiros em forma de ondas provocados pela entrada furiosa das águas do oceano Atlântico nos braços dos rios Capim e Guamá, que se interligam em seus movimentos a caminho do mar.

“Mas a pororoca não era divulgada como está sendo hoje; a cidade começou a ser conhecida lá fora”, afirma o pesquisador. Pedro chega a dizer que São Domingos do Capim estava, “fora do mapa do Pará".

Para o aposentado, a divulgação tem sido importante para a visibilidade do município e tem contribuído para o crescimento físico do município. “A partir daí fomos observados melhor pelos nossos governadores. Esperamos que esse evento nunca termine”, pediu, em forma de oração, pois sabe que a pororoca do Capim está diminuindo de tamanho no decorrer dos anos.

“A onda é a maré que vem do mar. A gente sabe que nos meses de março e abril temos as marés mais altas na costa do Atlântico, em conseqüência das influências dos astros celestes. Quando a maré vem com força do oceano, e penetra nos rios, formam as ondas”, relata. As causas apontadas para esse efeito estão ligadas ao desmatamento das florestas e ao assoreamento dos rios, provocando a diminuição das ondas.

Pedro, mesmo não querendo, entende que caso a situação permaneça no mesmo ritmo, a tendência é chegar um dia em que a pororoca vai desaparecer, por completo. Quando o repórter comentou com ele que a diminuição das ondas teria a ver com o envelhecimento dos "pretinhos" da lenda e que um deles teria morrido, segundo dizem os ribeirinhos, ele abriu um largo sorriso e comentou: “Bom, isso aí também. Isso aí ajuda por que eles ficaram velhos também e já não estão com a mesma força".

História - Dil Palheta, comerciante do ramo de farmácia, foi pioneiro ao dirigir uma lancha para deslocar os aventureiros surfistas que queriam “pegar aquela onda desconhecida”. Para acompanhar a aventura, uma equipe de jornalismo da Rede Globo veio junto. Era o ano de 1997. “Vieram aqui na nossa cidade para fazer uma matéria promocional, divulgando a pororoca, que é um fenômeno que até hoje se tem como uma lenda de mistério”, revela Dil.

Segundo o comerciante, o embrião do evento Surfe na Pororoca poderia ser classificado como “free surf”, ou seja, não havia campeonato, não havia competição. Na época, quem desembarcou em São Domingos do Capim foram Carlos Burleque, campeão mundial de ondas grandes no ano anterior, Dunga Neto, surfista de Fortaleza, Ricardo Tatuí e alguns surfistas de Salinas, como Junior e Noeli Sobrinho.

“Montamos uma estrutura bem precária, só tinha um barco e uma lancha, que fazia todo o trabalho. Colocava o surfista na onda, filmava e voltava para recolher o surfista. Começou assim”, comenta.

Ele se gaba de ter sido segura a aventura por ser morador do lugar e conhecer toda a região. “Então sei por onde vai, por onde vem, sei onde vai quebrar a onda”, garante.

No ano seguinte, repetiram a dose. O governo do Estado percebeu que o potencial turístico era grande e valia a pena incentivar.

Dil avalia que o Surfe na Pororoca tem pontos importantes, positivos e negativos. Segundo ele, o evento evoluiu bastante, ganhando patrocínio dos governos estadual e municipal e de “empresas de renome”. Palheta diz que o povo sempre espera que no ano seguinte aconteça melhor que o anterior. 

Fonte:  Lázaro Araújo - Secom/PA


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