Sábado, 8 de outubro de 2016 - 07h20
O relatório lançado esse mês pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), com o tema “Educação para as Pessoas e o Planeta: criar futuros sustentáveis para todos”, deixa claro que os avanços na educação são indispensáveis para o desenvolvimento mundial.
Segundo a pesquisa, o Brasil atingiu a média mundial de investimentos em educação no ano de 2012, mas é preciso repensar a formação dos professores e valorizar novas metodologias de ensino. O Porvir conversou com a coordenadora de educação da Unesco no Brasil, Rebeca Otero, que comentou alguns dos principais pontos do relatório.
“No Brasil, vemos uma educação focada em determinados conteúdos para o Enem. Os currículos pautados apenas por livros didáticos. Não se vê a educação como esse instrumento de qualificação da vida das pessoas, para aprender a ser, conviver e fazer. A educação precisa construir um indivíduo cidadão, capaz de fazer boas escolhas para si e para a sua comunidade”.
Meio ambiente
Encontrar novas soluções para problemas ambientais e ter um futuro com indústrias mais verdes são alguns dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. Porém, segundo a pesquisa, metade dos países avaliados nem menciona explicitamente a mudança climática em seus currículos escolares.
Ainda de acordo com o estudo, nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), 40% dos estudantes de 15 anos de idade têm apenas conhecimentos básicos sobre temas ambientais. Já no Brasil, Uruguai, México e Argentina, esse índice sobe para mais de 60%.
“As escolas até aceitam bem o tema, por ser uma agenda positiva. Porém, ainda trabalham de forma muito superficial. Isso mostra o quanto precisamos renovar a educação. É preciso investir e repensar a formação dos professores”, alerta Rebeca. “A sustentabilidade, por exemplo, também deve ser levada a sério pelos gestores. Não adianta só tratar em sala de aula, é preciso também dar o exemplo e investir em uma gestão mais sustentável”.
Formar cidadãos engajados
O relatório apresenta um estudo feito em 35 países que mostrou que a abertura nas escolas para discussões de assuntos polêmicos, em que os alunos ouçam e expressem opiniões divergentes em sala de aula, aumenta a intenção da participação política dos estudantes.
“É impossível ter uma boa educação sem ter nas escolas o debate que promova o pensamento crítico da comunidade”, afirma Otero.
Dados da pesquisa mostram que o acesso amplo e igualitário à educação de boa qualidade ajuda a manter práticas e instituições democráticas. Níveis melhores de alfabetização responderam pela metade das transições para regimes democráticos entre 1870 e 2000.
Formação de professores
Além de incluir as mudanças climáticas e sustentabilidade no currículo de formação dos professores e gestores da educação, o relatório da Unesco afirma que é preciso romper urgentemente com as tendências do passado.
“Os professores sentem necessidade de uma formação melhor. É preciso atualizar o currículo para que eles estejam preparados para lidar com bullying ou crianças portadoras de necessidades especiais, entre outros tantos temas importantes atualmente nas escolas”, sugere.
A política salarial, educação continuada, redução de carga horária e as condições de trabalho do professor precisam de revisão. “Sem a valorização da carreira docente, fica mais difícil a renovação. Os jovens acabam não querendo seguir essa carreira. O que acontece aqui no Brasil, por exemplo, é que temos um déficit de professores em determinadas áreas”.
Educação superior
Em uma amostra de 76 países, 20% das pessoas mais ricas com idades entre 25 e 29 anos completaram pelo menos quatro anos da educação terciária, em comparação com menos de 1% das mais pobres.
A previsão é que até 2020 o mundo apresente um déficit de 40 milhões de trabalhadores sem ensino superior e um excesso de 95 milhões de trabalhadores com níveis educacionais básicos.
Para o Brasil conseguir vencer esse desafio, segundo a coordenadora de Educação da Unesco no Brasil, será necessário investir em cursos técnicos. “Não só aumentar a oferta dos cursos técnicos de curta duração, inclusive já no ensino médio, mas entender a verdadeira demanda. Hoje, 70% desses cursos no Brasil são de área administrativa. É preciso oferecer qualificação para outras áreas”.
O relatório
O relatório da Unesco monitora o objetivo global de educação da Agenda de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. São 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, um plano de ação e as 169 metas prioritárias que devem ser alcançadas pelos países-membros da ONU (Organização das Nações Unidas) até 2030. A nova agenda coloca a educação como o principal ponto para alcance das metas.
Fonte: ANDI / Porvir
Quinta-feira, 12 de março de 2026 | Porto Velho (RO)
A comunidade ribeirinha do Baixo Madeira e a população em geral de Rondônia estão convidadas a participar da audiência pública ‘Rio Madeira, as muda

A startup brasileira LandPrint acaba de ser reconhecida como uma das 12 melhores tecnologias globais para análise de riscos físicos e financeiros as

Ecobags para coleta de garrafas PET são doadas pela prefeitura de Porto Velho
Aquela garrafa PET vazia, que muitas vezes acaba esquecida em casa, pode ganhar um novo destino.A Prefeitura de Porto Velho, por meio da Secretaria Mu

O Crea-RO e a WR Ambiental apresentaram ao prefeito de Porto Velho um projeto sustentável voltado à coleta de resíduos recicláveis durante eventos d
Quinta-feira, 12 de março de 2026 | Porto Velho (RO)