Domingo, 6 de setembro de 2009 - 23h04
Cientistas britânicos e franceses identificaram três genes que podem ser determinantes no desenvolvimento do Mal de Alzheimer, segundo artigo publicado na revista especializada Nature Genetics.
Os cientistas britânicos identificaram dois genes em um estudo de 16 mil amostras de DNA. Os genes são conhecidos por ter implicações no processo de inflamação e processamento de colesterol.
Os dados deste estudo – um esforço coletivo de várias universidades britânicas – foram divididos com pesquisadores franceses, que identificaram o terceiro gene, CR1, também descrito no artigo.
Esta é a primeira pista genética sobre a doença em 16 anos e está fazendo com que especialistas repensem suas teorias sobre o desenvolvimento do Alzheimer.
A expectativa é de que o estudo abra caminho para novos tratamentos. O último e único gene a ser relacionado à forma mais comum de Alzheimer é o gene APOE4, que vem sendo intensamente pesquisado.
Proteção
Os dois genes identificados pelos cientistas britânicos – CLU e PICALM – são conhecidos pelo seu papel de proteger o cérebro e estão relacionados ao processamento do colesterol e à parte do sistema imunológico envolvido no processo de inflamação.
Alterações nos genes podem remover seu efeito protetor ou torná-los “agressores”, afirma o estudo.
Um dos pesquisadores, Kevin Morgan, da Universidade de Nottingham, explicou que as descobertas têm potencial de abrir caminho para novos tratamentos usando drogas convencionais.
“A questão agora é: se reduzirmos o colesterol e a inflamação, poderíamos modificar o risco de pacientes desenvolverem Mal de Alzheimer?”
A cientista Julie Williams, que liderou o estudo e é assessora científica de um Fundo de Pesquisas sobre Alzheimer, disse que as conclusões podem trazer pistas valiosas.
“Temos procurado uma teoria específica sobre a doença de Alzheimer, mas nossos dados mostram que há coisas diferentes ocorrendo ao mesmo tempo.”
“A gente não entende realmente o que causa a forma comum do Alzheimer.”
“Dentro de poucos anos poderemos ter uma ideia bem melhor do que ocorre.”
O estudo foi realizado por integrantes de universidades em Cardiff, Londres, Cambridge, Nottingham, Southampton, Manchester, Oxford, Bristol e Belfast. Os cientistas planejam novos estudos envolvendo 60 mil pessoas no ano que vem.
A doença de Alzheimer é degenerativa e provoca demência. Ela atinge, principalmente, pessoas idosas.
Fonte: BBC Brasil
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