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Obama cobra esforço mundial contra armas nucleares



José Romildo - Correspondente da Agência Brasil

O presidente dos Estados Unidos disse hoje (2), em um pronunciamento à nação, que todos os países devem se unir para evitar que armas nucleares “possam chegar às mãos de terroristas”. Mais de uma semana após os atentados de Bruxelas, Obama disse que essa união deve buscar também eliminar o grupo terrorista Estado Islâmico.

Toda semana, o presidente Obama faz um pronunciamento à nação, em que divulga a posição do governo norte-americano sobre a questão mais importante do momento. O de hoje abordou a Cúpula sobre Segurança Nuclear, que reuniu durante dois dias, em Washington, mais de 50 líderes mundiais. A Rússia não compareceu à reunião, que terminou ontem (1), alegando que não conseguiu contribuir para a elaboração da agenda que estabeleceu os temas do encontro.

A posição do Brasil na Cúpula Nuclear incluiu a ideia de que a proteção de materiais nucleares não irá se fortalecer se ficar exclusivamente dirigida a instalações civis, deixando de lado os armazenamentos militares. O Brasil foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. “Temos mecanismos e legislação apropriados e eficientes para prevenir o terrorismo”, disse Vieira, ao ressaltar que o Brasil está comprometido com o fortalecimento da segurança física nuclear. “Esses esforços continuarão durante os Jogos Olímpicos do Rio”, em agosto.

Atualmente, nove países concentram mais de 15 mil armas nucleares – Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França, China, Índia, Paquistão, Israel e Coreia do Norte. Mais de 90% das armas estão concentradas nos Estados Unidos e na Rússia.

No pronunciamento de hoje, o presidente Obama destacou que a cooperação das nações sobre o tema da segurança, reafirmada na Cúpula Nuclear de Washington, permitiu a remoção de materiais relacionados com 150 armas nucleares para local seguro. “Essas armas nucleares nunca vão cair em mãos de terroristas”, disse.

O ministro brasileiro das Relações Exteriores observou que, em 16 de março deste ano, a presidenta Dilma Rousseff assinou uma lei que tipifica o terrorismo como crime e regulamenta procedimentos judiciais relacionados com o terrorismo.

Vieira afirmou que a proteção de materiais nucleares está sob a supervisão da Agência de Energia Atômica Internacional e também da Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares. O embaixador disse que há uma profunda confiança entre o Brasil e Argentina no campo nuclear, que começou há 25 anos.

Desarmamento

O ministro Vieira chamou a atenção, durante a Cúpula Nuclear, para um o conteúdo da declaração “Em maior segurança: olhando adiante”, assinado pelo Brasil e 15 outros países. Segundo ele, o documento tem “uma visão mais ampla dos desafios que enfrentamos no campo da questão nuclear”.

Para ele, a proteção de materiais nucleares não irá se fortalecer se “nossos esforços ficarem apenas nos materiais nucleares” localizados em instalações civis. De acordo com o ministro das Relações Exteriores, 83% dos materiais usados em armas nucleares estão armazenados em instalações militares, que não estão cobertas por nenhum mecanismo internacional que mereça ampla confiabilidade.

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