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Liliane Melo

Liliane Melo é formada em Jornalismo pela PUC-PR e especialista em Jornalismo & Mídia pela Uniron-RO. Já trabalhou como repórter no Diário da Amazônia e Folha de Rondônia. Ministra cursos na área jornalística e é funcionária pública de carreira. Mãe de Matheus, 7 anos, diagnosticado como autista. Desde 2013 participa de workshops para se aprofundar em relação ao tema Autismo e realiza diversas pesquisas sobre o assunto.

Autismo – Olhar para além do rótulo! Por Liliane Melo

09/08/2017 - [11:25] - Opinião


A prova de que o autista pode usar a imaginação
está aqui em que meu filho finge correr de um dinossauro.

Creio que nunca se ouviu falar tanto em autismo como atualmente. No artigo anterior comentei sobre a minha alegria em relação ao fato do autismo ter sido capa da Revista Veja, uma das mais renomadas do país. E nessa euforia deixei de enfatizar um ponto que de certa forma me preocupou: a rotulação! O autismo está muito além de rótulos pré-construídos ou pré-definidos.

Portanto, aqui vai apenas um alerta a todos que leram a reportagem, responderam ao questionário, mas não se aprofundaram no quadro conforme indicação da revista e de alguma forma, desconfiam que o autismo está em sua casa.

Por que quero fazer este alerta? Porque no questionário apresentado na revista, apesar de haver uma observação no rodapé de que se a pessoa assinalou uma ou mais vezes a opção SIM, recomenda-se responder ao questionário completo no M-CHAT, tenho receio de que não atentem para isso ou se baseiem apenas ao questionário. Temo que ao responderem o questionário inicial tirem suas próprias conclusões em relação ao diagnóstico, ao invés de procurarem um especialista, o que é fundamental no caso de suspeita, seja inicialmente um pediatra, ou no caso específico um neurologista (que é quem faz o diagnóstico).

 

Fiz o teste e eis a resposta em relação ao meu filho:

 

“Obrigado por concluir o teste.

Seu Resultado:
Deve-se ter atenção e procurar um Profissional de Saúde para determinar se está ou não dentro do Espectro Autista.

Lembre-se que as informações contidas neste site têm caráter informativo e educacional e de nenhuma forma devem ser utilizadas para auto-diagnóstico, auto-tratamento ou auto-medicação. Quando houver dúvidas, um médico deverá ser consultado. Somente ele está habilitado para praticar o ato médico, conforme recomendação do CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA.”

O teste faz ressalvas e pôs em dúvida a situação do meu filho, já que ele tem autismo leve. Mas quantos irão realmente além? Aonde quero chegar com essas observações: Que a pessoa que está dentro do espectro autista é única... o autismo não segue um padrão rigoroso... cada um tem suas particularidades e potencialidades, se desenvolve de uma maneira diferente, tem reações diferentes.

Essas criaturinhas cheias de potencialidades e surpresas são transformadas através das terapias com equipes multidisciplinares... são verdadeiros diamantes a serem lapidados e, melhor: em um mundo tão cheio de frivolidades e falsidades, eles são autênticos e verdadeiros. Uma das coisas que sempre me chamou a atenção foi o fato de dizerem que o autista não consegue usar a imaginação. O meu filho me surpreende a cada dia com sua imaginação e superação, para me mostrar que os autistas estão muito além de nossas conclusões ou rotulações!

A fala do meu filho ainda está um tanto prejudicada sim. Mas quantas barreiras já foram quebradas e de certa forma vencidas quanto a relacionamentos, rotinas, comportamentos? Ainda há muito o que fazer, sim. Ainda chego em casa e me surpreendo muitas vezes com os brinquedos enfileirados ou com ele correndo de um lado para o outro tentando se organizar sensorialmente... mas e daí?... ao mesmo tempo me aparece com descobertas ou questionamentos que jamais imaginaria poder vivenciar com ele!

Cada autista é único, disso tenho certeza! Muitos deles têm me surpreendido a cada dia. Precisamos enxergar para além do rótulo... sair da caixinha! Eles são seres incríveis, que não podem e não devem ser desprezados em sua inteligência ou em seu aprendizado, mas sim, serem estimulados cada vez mais porque eles podem e são capazes de nos surpreender e de aprender!

Respeito! Respeito! Respeito! É tudo o que a família de um autista quer. Fico triste, chocada, quando ouço relatos de professores que deixam esses alunos de lado ao invés de explorar suas potencialidades – são crianças inteligentes, incríveis que têm muito a oferecer a esta sociedade – que podem tornar este, um mundo melhor.

Nos próximos artigos quero mostrar alguns relatos vivenciados em escolas que cortaram meu coração! Então mais uma vez reforço: vamos ter respeito e mais amor! O autismo não é uma doença, é apenas uma síndrome que torna quem a tem uma pessoa diferente! Não se trata de chilique, de birra – vamos tentar ser mais tolerantes!

O autismo é ser diferente dentro de uma sociedade que está acostumada com o igual. Diferente em uma sociedade cheia de hipocrisia. Mas fica a dica: eles não estão desamparados! E enquanto houver voz em mim, estarei lutando por eles juntamente com outros pais! Se eles não têm voz, estou aqui para representa-los!

Se você leitor (a) tem uma história de superação e luta em relação ao TEA também pode dar a sua contribuição nesta coluna, que tem por único objetivo partilhar experiências e desfazer rótulos, fazendo com que as pessoas entendam o autismo! Na realidade nascemos para sermos incríveis, não perfeitos!

Caso queira enviar sugestões pode entrar em contato comigo através do e-mail:  [email protected]- até o  próximo!


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