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Leonardo Boff

Doutorou-se em teologia pela Universidade de Munique. Foi professor de teologia sistemática e ecumênica com os Franciscanos em Petrópolis e depois professor de ética, filosofia da religião e de ecologia filosófica na Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Conta-se entre um dos iniciadores da teologia da libertação. É assessor de movimentos populares. Conhecido como professor e conferencista no país e no estrangeiro nas áreas de teologia, filosofia, ética, espiritualidade e ecologia. Em 1985 foi condenado a um ano de silêncio obsequioso pelo ex-Santo Ofício, por suas teses no livro Igreja: carisma e poder (Record). A partir dos anos 80 começou a aprofundar a questão ecológica como prolongamento da teologia da libertação, pois não somente se deve ouvir o grito do oprimido, mas também o grito da Terra porque ambos devem ser libertados. Em razão deste compromisso participou da redação da Carta da Terra junto com M. Gorbachev, S. Rockfeller e outros. Escreveu vários livros e foi agraciado com vários prêmios. É Colaboraddor do Gentedeopinião, em Rondônia - Leonardo Boff é teólogo, filósofo e escritor e esteve participando do 12º Intereclesial em Porto Velho - RO.

Boff: Temer está provocando o povo, e país pode ter convulsão social

10/02/2018 - [19:28] - Opinião

Da Rede Brasil Atual - O teólogo e escritor Leonardo Boff avalia que o governo de Michel Temer está "provocando o povo" e a consequência pode ser uma convulsão social. "Nossa tarefa é tentar evitar essa situação e fazer com que essa pressão toda coloque o Congresso para atuar em prol do povo, mas se acontecer essa sublevação, eles são os culpados", afirmou, nesta terça-feira (6), durante participação no programa Entre Vistas, apresentado pelo jornalista Juca Kfouri, na TVT.

Um dos mentores no Brasil da Teologia da Libertação, Boff foi duro com Temer ao dizer que seu governo é ilegítimo e não deve ser reconhecido, pois rompeu o pacto social do país. Para o frei, é preciso recolocar o país no rumo do desenvolvimento e refazer o prestígio global que havia conquistado até poucos anos atrás, a partir das potencialidades e riquezas naturais brasileiras, o que, para ele virá com a eleição de um novo governo de perfil progressista. "O Lula pode resgatar a credibilidade do povo", afirmou.

O teólogo avalia que Lula conseguiu abrir "brechas sociais" mas, apesar dos elogios, diz que o ex-presidente se equivocou ao não redistribuir a riqueza – que seria "tirar de quem tem demais para dar a quem tem de menos". É nesse contexto que Boff analisa a conjuntura que permitiu o impeachment de Dilma Rousseff e o golpe em curso no Brasil.

"Quando se deram conta de que as políticas sociais se tornariam políticas de Estado consolidadas, eles deram o golpe", observou, ressaltando a necessidade de o país construir uma sociedade minimamente igualitária. "Vivemos uma luta de classes onde a classe operária sempre perde." Ainda assim, disse acreditar na resistência aos retrocessos, na construção de um novo rumo para o país e na crença de que a sociedade não pode se manter indefinidamente na injustiça.

"O que nos faltou foi uma Bastilha", afirmou, se referindo à revolta que pôs fim à monarquia na França em 1789. "A casa-grande continua com a mesma lógica, paga um salário como se fosse esmola. Temos que criar as mediações com políticos que lutam pela justiça e o Estado de bem-estar social."

Durante o programa, gravado no Café do Sindicato dos Bancários, no Edifício Martinelli, centro de São Paulo, Leonardo Boff criticou o papel da Igreja Católica na conjuntura atual, em que movimentos sociais são perseguidos e há retrocessos em diversas áreas sociais. Para ele, nos últimos 30 anos os padres perderam sua capacidade "profética".

"Hoje temos uma Igreja enfraquecida, dividida, com alguma posição diante da Amazônia e da Previdência, mas que se calou diante da reforma trabalhista e do Estado de exceção que persegue. É uma Igreja adaptada à situação", disse. Na sua visão, a missão da igreja é estar ao lado dos mais pobres e defender seus direitos. Apesar da opinião contundente, o teólogo por outro lado elogiou a postura do Papa Francisco e sua atitude de não apenas "dar discurso" para os pobres, mas sim ir ao encontro deles, estar onde eles estão.

E fez uma revelação: "A Dilma pode não falar, mas o Papa enviou uma carta de apoio durante o impeachment. Enquanto houver esse governo, ele não virá ao Brasil. Ele viria porque é um grande devoto dea Nossa Senhora Aparecida, mas não veio. E não recebeu o Temer quando ele foi a Roma, porque ele é um homem de princípios".

Boff defendeu um melhor diálogo com os grupos evangélicos dispostos a enfrentar as injustiças do Brasil, pois acredita ser preciso se comunicar melhor com os pobres e excluídos, e que os evangélicos têm uma linguagem mais apropriada para esse desafio. "Precisamos sim abrir dialogo com eles", reconheceu.

Além de apresentado pelo jornalista Juca Kfouri, o programa teve participação de Adriana Magalhães, secretária de comunicação da CUT-SP, Alexandre Conceição, membro da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), e Edin Abumanssur, orientador do programa de pós-graduação em Ciências da Religião da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

O Entre Vistas vai ao ar todas as terças-feiras, às 21h. Assista à entrevista com Boff:

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Comentários

  • Sebastião Farias - 10/02/2018

    É verdade, Frei Leonardo Boff. O nosso comentário sobre esta matéria do autor, bem escrita, bem informativa e muito instrutiva para os cidadãos do Brasil, nos permite, para sua melhor compreensão e confiança na intervenção de Deus, na solução dos problemas brasileiros atuais, assim como Ele atendeu o pedido de socorro do Profeta hebreu Habacuc, a cerca de 2.600 anos atrás. O motivo de sua indignação, foi assistir o sofrimento continuado do povo de seu país, causado por opressão violenta e injustiça, praticados pelos governantes, ricos e religiosos da época, contra o resto da população do país. As comparações com nossa realidade e semelhanças podem ser feitas e comprovadas, após plena leitura do texto, que reproduzimos abaixo, como contribuição à informação, à tomada de atitude por cada cidadão e principalmente, depositar em Deus a sua fé na vitória final que virá. Acredite e aja, o Brasil precisa da unidade de todos para sua transformação. Vejam: “O JUSTO VIVERÁ POR SUA FIDELIDADE Fonte: http://www.paulus.com.br/biblia-pastoral/_PUB.HTM Introdução O profeta Habacuc inicia o livro interrogando a Deus e pedindo socorro, pois está cansado de ver o seu país sofrer opressão violenta, onde a Lei enfraquece e o direito está distorcido (1,2-4). A resposta de Deus é a intervenção de um grande império, que deveria corrigir os desmandos (1,5-10). Isso, porém, não satisfaz o profeta, pois o invasor não vem para fazer justiça, mas para substituir uma opressão por outra pior (1,12-17). Habacuc continua esperando uma resposta satisfatória de Deus. A resposta definitiva é dada, agora, com uma proposta diferente, mais difícil, que exige paciência, mas que não falha: «O justo viverá por sua fidelidade» (2,4). Com isso, os que sofrem as conseqüências da violência são chamados a ser agentes na história, opondo-se firmemente aos que não são corretos. Tal acontecerá somente se esse grupo for fiel ao projeto de Deus; se estiver permanentemente vigilante na realização da justiça. No momento em que os injustiçados se descobrem não só como vítimas, mas principalmente como agentes de uma transformação na história, surgem a possibilidade e a coragem de desmascarar os opressores. Esse desmascaramento se realiza através da desmistificação de sua potência, até chegar ao cerne de sua fraqueza: são adoradores de ídolos mudos e inertes, que não podem vir socorrê-los no momento crucial. Descobrindo a fraqueza do opressor, é possível celebrar a sua queda e o surgimento de uma nova era, de um mundo novo. É a celebração do justo, «em tom de lamentação», cheia de estremecimentos e temores, porém com uma certeza: a justiça um dia se tornará realidade, porque o Deus dos justos é o Deus vivo que age na história (3,1-19).”

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