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CIDADE DA CULTURA: WILLIAM VERSUS ZEKATRACA - Por Evandro Casagrande

11/07/2017 - [17:39] - Opinião

 

Evandro Casagrande*

Li neste site a coluna Chutando o Balde, do professor William Haverly Martins, que critica com veemência a denominação dada ao espaço onde antes era  o Parque dos Tanques: Cidade da Cultura.

William, que é  escritor e  ativista cultural nativista, achou inapropriado chamar de Cidade da Cultura aquele local, prioritariamente para atender nossas manifestações folclóricas, em particular as quadrilhas e os bois-bumbás durante as festas juninas, como parte integrante do já tradicional Arraial Flor do Maracujá. O colunista questionou a imprecisão da denominação argumentando que o espaço não apresenta condições para promover e divulgar todas as artes.

A opinião do professor foi de pronto rechaçada por Sílvio Macedo, o popular Zekatraca, que assina há muitos anos uma coluna neste site e num jornal escrito da cidade. Sílvio, denotando estar com o brio ferido, reagiu com certa dose emocional ao questionamento. Alega que pelo simples fato de servir de palco para o Arraial Flor do Maracujá, que divulga, além dos bois e das quadrilha juninas, nossa culinária e nossas músicas já se justificaria o nome que lhe foi dado.

É compreensível que, no primeiro momento, o contestador, um dos maiores conhecedores de nossa cultura de raiz, carnavalesco dos mais respeitados em nosso meio, compositor de sambas-enredo de sucesso para nossas escolas de samba,  fundador, junto com o saudoso Manelão,  do maior evento do Carnaval de rua da região Norte, a Banda do Vai quem Quer, tenha se sentido ofendido por achar que William desqualificou as manifestações culturais populares que tanto ama.

Entro na roda para esclarecer: li e reli a combativa coluna de William e não vi qualquer resquício de desconsideração aos espetáculos a que se destina a tal Cidade da Cultura. Ninguém, de sã consciência, especialmente um nativista confesso como ele, pode rejeitar o que emana do sentimento de nossa gente com tamanha força e emoção. Festas juninas, sem quadrilhas nem bois, não são festas juninas, simplesmente porque perdem sua maior essência, a alegria. Não se tratou disso, portanto. A crítica feita pelo professor objetivamente se referiu à estrutura do local, que não se presta a todas, repito, todas as expressões culturais. Se não se preta a todas, tem toda a razão o articulista ao dizer que é equivocada (megalomaníaca, segundo ele) a decisão de chamar aquele espaço pelo nome tão abrangente de Cidade da Cultura. Diante dessa crítica, introduziram, de modo forçado, no dia seguinte, uns pintores para registrarem alguns aspectos do espetáculo que lá ocorreu, com intuído  de dizer que lá também serve às artes plásticas. Mas não colou! Apenas uma encenação, a despeito da presença de competentes artistas visuais.

Na prática, podemos considerar que estamos em ano eleitoral. Políticos são useiros e vezeiros em pirotecnias nesses períodos. Inauguram qualquer coisa como se fosse algo muito maior e mais importante do que verdadeiramente é. Vejam o tal Museu de Gente de Rondônia. Fizeram uma “inauguração” com a presença autoridades, até com mesa constituída para entronizar os mentores do museu, para  apresentarem algo que confunde o virtual com o invisível. Na verdade, é apenas uma site na internet, sem qualquer atrativo estético, com total  incipiência de diagramação (péssima, diga-se a bem da verdade!), onde se tem acesso a umas poucas  imagens mal produzidas de depoimentos de algumas pessoas (devem ter sido feitas com filmadora de vídeo antiga, sem iluminação adequada etc.). E mais, para se chegar aos depoimentos, é preciso acessar oYou Tube, porque no site mesmo, nada. Durante o “evento”, como de praxe,  tome discursos cheios de autopromoção, com explícito viés político que não convence mais ninguém. Inclusive o tal site informa que qualquer pessoas pode enviar os vídeos de quem quiser para fazer parte do museu — por óbvio, somente aquelas que são bons exemplos de gente que viveu ou vive aqui deveriam constar nessa seleção. Vê-se que foi algo criado sem planejamento, sem critérios, “nas coxas” como se diz vulgarmente, e que, por isso, em nada enobrece a imagem das pessoas desta terra. E mais: sem apoio efetivo do governo.

Qualquer espaço com a denominação pomposa de Cidade da Cultura merece muito mais. Há cultura popular, mas também cultura erudita.  Ambas merecem o mesmo respeito. Por isso, o bom gosto, o conhecimento e o bom senso recomendam a quem pode mandar trocar esse  nome ridículo por Espaço de Eventos, ou coisa que o valha. Do contrário, estamos assinando em baixo que nossa cultura, em toda a extensão que a dispomos, foi reduzido a uma festa folclórica ou um pouco mais. Isso, senhoras e senhores,  depõe contra nossa imagem, tão estigmatizada por vivermos longe dos grandes centros culturais.

* Pesquisador da cultura latino-americana


Comentários

  • MOACIR FIGUEIREDO - 13/07/2017

    EM OBSTANTE AS LOAS AO TAL ZE KATRACA, RECONHECIDAMENTE UM DOS INCANSÁVEIS LUTADORES PELA CULTURA RONDONIENSE, A CRITICA DO ARTICULISTA BEM A CALHAR. NESTE SENTIDO, TAMBÉM VEM À TONA UMA OUTRA ENGANAÇÃO. AS CHAMADAS ESCOLAS DE SAMBA DE PORTO VELHO QUE SEQUER CONSEGUEM CONSTRUIR UMA ALEGORIA QUE DESPERTE ATENÇÃO, E AINDA VEM ALGUNS, (ENTRE ELES O DITO CUJO), DIVULGAR QUE EXISTEM GRUPO ESPECIAL E DE ACESSO. MAIS UMA MEGALOMANIA. KKK

  • Silvio M Santos - 13/07/2017

    TA EMPATE

  • william haverly martins martins - 12/07/2017

    Obrigado, Casagrande, pelo seu esclarecimento e parabéns pela lucidez. Pena que nosso Zekatraca, uma unanimidade quando se trata de cultura popular, não tenha alcançado o teor das minhas críticas. Obrigado Angelo Costa pelo apoio, dezenas de anos contemplam a realização da tal maquete.

  • João Zoghbi - 12/07/2017

    "Se não se preta a todas, tem toda a razão o articulista ao dizer que é equivocada (megalomaníaca, segundo ele) a decisão de chamar aquele espaço pelo nome tão abrangente de Cidade da Cultura. Diante dessa crítica, introduziram, de modo forçado, no dia seguinte, uns pintores para registrarem alguns aspectos do espetáculo que lá ocorreu, com intuído de dizer que lá também serve às artes plásticas. Mas não colou! Apenas uma encenação, a despeito da presença de competentes artistas visuais". Sou João Zoghbi e cabe a minha defesa pelo dito:"introduziram, de modo forçado, no dia seguinte, uns pintores para registrarem alguns aspectos do espetáculo que lá ocorreu, com intuído de dizer que lá também serve às artes plásticas. Mas não colou"! Caríssimo cidadão, não sei quem, que falou isso gostaria de lhe dizer que "uns pintores" que "foram introduzidos" a área de apresentação das Quadrilhas e Bois-bumbás no Flor do Maracujá, desculpe há dois equívocos e grandes ruídos na informação: primeiro não somos 'pintores' somos artistas visuais não nos detemos só a pintura artística somos mestres em ESCULTURAS, FOTOGRAFIA, CINEMA E ARTES VISUAIS todos os três que lá estiveram, repito: João Zoghbi, Rita Queiroz e Ismael são qualificados e não foram “introduzidos de modo forçado” como você se referiu, talvez forçado foi a maneira que você está nos usando para atingir os criadores “Cidade da Cultura”, como tudo aqui se não somos o pais da criança não nos pertence. Os “uns pintores” a quem você se referiu se juntar o talento e a história, que esses citados, já construiram e escreveram na história da arte de Rondônia, inclusive parte da criação da Mostra de Quadrilhas e Boi-bumbá e o Flor do Maracujá. Não fomos “forçados” fomos convidados não pelo governo que também tem a mesma sensibilidade de vossa grandeza, repito, fomos convidados para ser “introduzidos” sim de forma lúdica à fazer parte do “contexto” do tema da “Quadrilha folclórica Matutos do Guaporé” e, como nós artistas sempre de forma colaborativa e para escrever mais uma página da nossa história (ao contrário de muitos “intelectuais” que cobram cache para aparecer) das artes e da cultura de Rondônia em especial Porto Velho. Portanto senhor 'famoso', sei lá o quê, nos respeite e não venha pegar carona no vagão da cultura que já está lotado e não aceitamos penetra. Seja digno de falar de nossos artistas que lutam há 40 anos fazendo uma belíssima história sem borrar a tela de seu ninguém. Construa a sua e nos deixe em paz, melhor, compre uma tela de “uns pintores” que já está ajudando a construir nossa “Cidade da Cultura”.

  • Angelo Costa - 12/07/2017

    Olá, Silvio, se o que foi denominado de Cidade da Cultura fosse como você a descreveu num tempo futuro, tudo bem. Mas o que existe lá está longe, muito longe disso. Lembra do nosso teatro, que, por sinal, também recebeu o nome equivocado de Palácio das Artes? Como você sabe, demorou quase 20 anos para ser construído. Colocar um nome antes da hora, tão somente numa pretensão de ser, afigura-se como propaganda enganosa. Já vimos muitas maquetes que jamais passaram dessa fase. E isso não é exceção, é a regra nestas terras de Rondon. Portanto, a despeito da admiração que tenho pelo seu trabalho, estou convencido de que o professor que escreveu o artigo em questão e o pesquisador que o endossou, estão cobertos de razão.

  • Silvio M Santos - 12/07/2017

    Querido Casagrande, que bom que você entrou na conversa. Vamos esclarecer. O nome Cidade da Cultura foi uma sugestão dos dirigentes dos grupos folclóricos e escolas de samba, acatada pelo superintendente da Sejucel. Sabe por que? Porque ali futuramente será construído o Centro de Convenção cuja maquete foi apresentada em solenidade realizada la no "Parque dos Tanques". O Centro vai contemplar todas as artes. O prédio muito bonito por sinal (arquitetura moderna), vai contar com vários auditórios e salas para reunião, além de teatro, os corredores servirão também para exposições de obras de artes. Na área livre, que é muito grande, será montada a estrutura para receber as apresentações folclóricas, e shows de qualquer porte. Terá a pista para os desfiles das escolas de samba e blocos assim como a Arena de Rodeios. Com certeza os intelectuais das nossas Academias de Letras farão lançamentos de livros em seus auditórios. Hoje o que está funcionando é apenas a arena onde se apresentam Quadrilhas e Bois Bumbás. Futuramente todo segmento cultural estará lá dentro. Daí os militantes da cultura popular se adiantarem e sugerirem o nome "CIDADE DA CULTURA", Espaço de eventos é a Talismã.

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