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100% de água tratada – um sonho que se renova a cada eleição


Valdemir Caldas - Gente de Opinião
Valdemir Caldas

Em março de 2009, o então governador de Rondônia, Ivo Cassol, ao visitar uma obra de ampliação do sistema de abastecimento de água em Porto Velho, localizado na região leste da cidade, anunciou que a população teria cem por cento de água tratada. Muita gente vibrou com a ideia, principalmente moradores do Bairro JK I. A obra fazia parte do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). Em novembro do mesmo ano, um vereador do Partido dos Trabalhadores, cujo nome não me recordo agora, acionou o Ministério Público Federal, por suspeita de superfaturamento na obra. Naquela ocasião, o então presidente da Câmara Municipal de Porto Velho, José Hermínio Coelho, do mesmo partido do denunciante, ameaçou criar uma CPI para investigar o caso.

A CPI não saiu, mas as obras foram suspensas. O problema se arrasta até hoje. Enquanto isso, a maioria da população, que não pode pagar para cavar um poço artesiano, continua usando água da pior qualidade (quanto chega às torneiras), servida pela CAERD, mais conhecida pelo excesso de cargos comissionados que abriga em sua esquálida estrutura do que pelos serviços que deveria prestar à população, segundo informações. No final de 2015, o plenário da Câmara de Vereadores de Porto Velho aprovou o Programa de Parceria Público-Privada, abrindo, assim, caminho para a terceirização de serviços públicos nos mais diferentes setores da administração municipal, entre eles esgotamento sanitário e água tratada.

Em abril de 2017, uma nova polêmica. Dessa vez, envolvendo a prefeitura de Porto Velho e a presidência da CAERD. O então prefeito Hildon Chaves teria sido informado pelo Tribunal de Contas da União sobre o cancelamento do compromisso assinado entre o governo de Rondônia e o Ministério das Cidades, o que teria levado a Caixa Econômica a devolver à União mais de setecentos milhões de reais que seriam aplicados em obras de esgotamento sanitário e ampliação de rede de água potável. O então governador Confúcio Moura interveio e a coisa se acalmou. Quando tudo parecia correr às mil maravilhas, o jornalista Paulo Andreoli entrou em campo e lançou uma nuvem de desconfiança sobre a credibilidade da empresa cotada para ganhar a concessão das obras na capital, publicando bombástico material sobre o assunto.

Já disse, e repito, que a discussão sobre o futuro da política de abastecimento de água da cidade de Porto Velho passa, necessariamente, pela compreensão sobre os interesses políticos que envolvem esse tema e a determinação dos gestores públicos em fazer valer os aspectos realmente importantes para a população da capital. Estamos em ano eleitoral. Logo, vão aparece candidatos aos mais diferentes cargos e dos mais variados partidos prometendo resolver o problema do desabastecimento de água na cidade de Porto Velho.  Alguns, inclusive, passaram pela prefeitura e pelo governo do Estado, porém, praticamente nada fizeram para, pelo menos, amenizar o sofrimento do povo que sofre com a escassez de água potável, principalmente no verão. 

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